quarta-feira, julho 20, 2011

Nekrós

E foi assim a primeira vez que a vi, estirada no chão, aberta, com sangue escorrendo entre suas pernas. Visão linda foi aquela! Tirei uma foto, afinal, ela estava tão linda naquela posição, tão indefesa, tão frágil. Eu tinha que tê-la para mim! Levei-a para o Box; seu corpo já estava gelado. Esquentei a água e dei um bom banho quente; escolhi uma roupa a esmo e a coloquei sobre meus ombros e partimos.
O céu desabava em nós dois, relâmpagos e trovões gritavam. Chegamos rápido em casa, ti pus na minha cama, meus lábios encostaram-se aos seus, do seu lado sentei e fiquei ti observando... Observando durante horas e horas, até começar a perder sua cor, a se decompor e assim sumir; para sempre, da minha vidinha medíocre.




E pra não perder o humor...
  

Decepção não mata, não te ensina a viver e não te deixa mais forte. Ela apenas nos mostra de uma maneira nem um pouco agradável o que estava na nossa cara o tempo todo.


Mairana M.

domingo, julho 17, 2011

Preciso...


Preciso escrever algo, nem que seja uma frase perdida no léu, um verso mal plagiado de algum autor, ou até por acaso; um livro sem fim. 


Linderson Ch.

14 de Maio de 1998




02:12
O céu está nublado, talvez logo, logo possa chover um pouco. Não seria nada mal tomar um banho de chuvas, daqueles gelados, grossos, que levam a alma. Não seria mesmo.
04:35
Já está tarde para dormir, já, já o sol nasce e eu estarei lá para ver seu nascimento. Faz tanto tempo que não o vejo, ando ficando trancado em casa tempo demais.
06:10
Acho que preciso tomar algum providência referente a esse amor. Ficar do jeito que tá, infelizmente não dá, ou talvez quem sabe dê!
Pego o mp3, e aproveito o clima romântico/confuso, começo a escutar nada mais, nada menos que “Amores Platónicos”.
09:55
A vontade de pegar meu cel e ligar para ti é tão grande! Dizer o que realmente sinto, dizer que faço tudo por você; faço até maldade, destruo seu namorinho de merda. Só para você ser minha, apesar de não me importar, se você tem outros ou não.
13:01
Eu queria sonhar contigo, ti dar um pequeno beijo, mesmo que esse fosse em um rápido sonho ou até mesmo, pesadelo. Eu não me importaria, só em ter esse fútil prazer eu já estaria feliz.
15:58
Aula de Inglês. Enquanto todos falam os pronomes pessoais e possessivos, eu só penso “I Love You”.
Creio até que estou me iludindo, afinal, eu mesmo nem sei o que é o amor. Mas hoje em dia, é praticamente impossível encontrar alguém que realmente o sinta, que saiba como é a sua verdadeira essência. Mas uma coisa eu sei, “Eu te amo” não é um “Bom Dia”.
19:29
Hoje entrei no seu Orkut, vi suas fotos, seus sorrisos meigos, confesso que olhei rapidamente seus recados.
Ah, esse ciúme louco que me move a viver, me move a querer sempre mais e nunca ter o bastante, nunca estar satisfeito.
20:03
Por isso me bate aquela infelicidade, aquele desgosto de viver. Aquela vontade de morrer. Desejaria ser menos confuso, saber o que eu quero e não quero. É cansativo querer tudo e nada ao mesmo tempo.
22:15
Preciso ir dormir, descansar, repousar. Olhar para os lados, para o passado e para o hoje, para assim planejar o amanhã e assim, outra vez viver.

quarta-feira, julho 13, 2011

Solity

Contaram-me em certo dia nublado, no meado de julho, que havia um ônibus. Um ônibus com paradas, mas sem descanso, sem motoristas, mas com passageiros; passageiros solitários, que estavam à busca de algo, talvez um sentido, talvez um alguém, talvez até riqueza. Ônibus este que rodeava apenas um pequeno estado, de um pequeno país, perdido nas Américas. Logo então o procurei, o busquei; esse modo todo especial de ser, me instigava, delirei imaginando os seus passageiros, quem seriam? O que procuravam?
Lembro-me daquela lua cheia, naquela quinta-feira de outubro. Ouço um barulho. Vejo pela janela um ônibus; amarelado com listras azuis, escrito “Solity” entre o listrado. A curiosidade me move; arrumo-me tão rápido quanto posso; saio depressa, era visível meu afobamento. A porta abriu... Subi.
Tantos anos se passaram; pessoas conheci, cruzei meu destino com várias, algumas não passaram de semanas, outras tive a sorte de passar anos. Muitas das quais, não havia sentido algum estarem ali, justificativas triviais me deram, indaguei se havia verdade nas palavras ditas, mas porque haveriam de mentir?
Agradeço por enfim, ter terminado essa busca, demorei, de fato e como demorei. Digo alegremente, que dentro do Solity, eu chorei, amei, sorri e sofri; para apenas, compreender algo que eu já sabia, há tanto tempo. Infelizmente; à felicidade não pode ser buscada.