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segunda-feira, setembro 03, 2012


Entre sonhos e desencantos me encontro imersa em pesadelos intermináveis. Dou voltas e mais voltas em perguntas sem solução. Sei todas as respostas para as perguntas erradas. Encontro caminhos e desvios me levam ao mesmo lugar. Desisto dos desvios e me perco em labirintos. E em cada labirinto escolho me perder ainda mais e sei que um dia me encontro.


Mairana M.

quarta-feira, agosto 08, 2012


Não sei explicar ao certo, se é dor, mágoa, ressentimento, ou qualquer outro tipo de sentimento. Mas sei dizer que dói. É uma ferida aberta, bem no meio de meu peito. Como a dor causada por uma batida. Um braço quebrado. Dói tanto que a respiração é quase impossível. Dói porque se foi, dói porque não volta. O silêncio e a ausência se tornam mais freqüentes do que risadas e abraços. E isso fere, como uma espada sendo cravada pelas costas. São chamadas de fases da vida, encaradas por muitos como algo normal, mas sempre deixam cicatrizes horrendas, que não saram, não curam. É difícil superar, mas talvez não seja impossível. Mascarar a dor atrás de sorrisos desmedidos, para nos mostrar fortes, inteiros. E tentando provar para todos, mas principalmente para nós mesmos que a dor pode ser superada, que ela pode ser ultrapassada e que nós podemos encontrar a felicidade após cada queda.

Mairana M.

De tudo, havia restado apenas o sabor das lágrimas que a acompanhavam em suas noites solitárias. Trancada em seu quarto ela admirava todos os objetos ao seu redor: aquele abajur que ele havia derrubado tantas vezes em seus momentos de euforia ou quando a jogava na cama tão abruptamente, aquela janela onde os dois ficavam abraçados, admirando o luar e conversando sobre tantas coisas, todas essas coisas que ela sentiria falta, todas essas coisas que ela almejava que retornassem e que entrassem por aquela porta trancada, quebrassem todas as fechaduras da casa e invadissem sua mente e carregassem todas as dores alojadas em seu peito. Ela sabia que nada daquilo voltaria, pois o seu desejo não era suficiente para apagar todas as dores que lhe foram causadas. Seu coração estava em frangalhos. Ela não dividia sua dor com ninguém, a dor era apenas sua. Alguns dias ela fingia esquecer tudo, enganava-se, portava-se como se nenhuma mágoa estivesse em seu peito e até conseguia acreditar nisso. Ah... ela mente tão bem para si mesma. Por fora a personificação da felicidade, por dentro, uma alma cansada de tanta dor. Mesmo não sabendo a força que tem ela se levanta a cada queda, sorri e mais uma vez, está pronta para o que for. 


Mairana M.

quinta-feira, julho 12, 2012

Uma história de amor ou algo do tipo


I
Chovia. Podemos avistar dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranquilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?
Direcionamo-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.

II
Em outra área da cidade, alguns dias atrás, entramos no que parece ser um quarto de um hotel vagabundo, paredes vermelhas um pouco mofadas pela umidade, carpete velho e apodrecido com marcas e talvez lembranças das pessoas que outrora estiveram naquele cômodo, uma poltrona velha, mas que de alguma forma talvez mística trazia beleza àquele quarto, da janela podemos ver o rio que circunda a cidade. Mudamos o foco para o centro do quarto, um criado-mudo, um abajur quebrado, um cigarro com suas cinzas queimando, um livro estrangeiro e a cama que nos chama a atenção, rangendo a cada movimento feito pelo casal. Ela tinha uma feição agradável, não era bonita, mas algo em seu jeito fazia com que ela atraísse olhares. Ele aparentava ser um pouco mais novo, era bonito, tinha um porte de quem praticasse esporte, tênis talvez, quem sabe. O casal não conversava, apenas encaravam-se, como se apenas com o olhar pudessem se comunicar, como se qualquer palavra dita fosse como uma pedra atirada em direção a uma frágil vidraça. Falar era proibido, talvez por tornar real o que eles queriam enxergar como “uma aventura, uma brincadeira, nada demais”, era isso o que eles diziam quando não estavam naquele cômodo sujo e ainda assim mágico. Então, ele, sempre era ele, resolveu quebrar aquele momento de cumplicidade, seria essa a palavra? sim, cumplicidade, aqueles dois tornaram-se cúmplices desde aquele dia em que conheceram-se, quanto a isso, por enquanto, basta sabermos que conheceram-se num bar, que também era próximo aquele prédio onde visitaremos num futuro próximo. Está ficando confuso? perdoe-me, mas estou apenas os guiando por essa história. Como eu falava, o rapaz quebrou o momento de silêncio e cumplicidade, ele disse estar cansado de sempre ir aquele lugar, queria algo novo, uma nova aventura, o quarto de paredes vermelhas mofadas pela umidade já não era mais tão vívido quanto no início, ela apenas acena como quem concorda e o silêncio reina mais uma vez.

III
Finalmente a memória do homem parado em frente aquele corpo banhado em sangue e sem vida, começava a ficar nítida. Lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ele era tomado pela primeira lembrança: ele estava um pouco mais jovem e com um recém-nascido em seus braços, chorava enquanto olhava a sua esposa sem vida naquela maca de hospital onde acabara de dar a luz a um filho que depois descobriria não ser seu.
Abana a cabeça como para afugentar aquela memória que tanto o perturbava, não queria mais pensar naquele dia. Olhou para o cadáver do homem que um dia tivera em seus braços, admirou-se de quão belo ele era e foi tomado por mais uma lembrança: ele já estava um pouco mais velho, ao seu lado, sua segunda esposa, com quem aprendera a amar novamente, ambos divertiam-se naquele bar, ele estava um pouco ansioso, iria reencontrar aquele rapaz que criara como se fosse seu filho, não se viam desde que ele resolvera viajar pelo mundo. O rapaz aparece muito belo, agora tinha porte de homem e parecia inteligente e experiente demais para sua idade, cumprimentam-se, o homem mais velho apresenta então sua esposa àquele rapaz, os três conversam a madrugada inteira, voltam para casa e continuam bebendo e conversando, o homem mais velho resolve ir para seu quarto, chama sua esposa que diz que vai depois, que quer conversar e beber um pouco mais com aquele rapaz, ele vai, os dois ficam. Novamente, abana sua cabeça, não conseguia suportar o quanto foi tolo durante todo aquele tempo. Cai de joelhos naquele chão ensopado de sangue e chuva e é tomado por mais uma lembrança, talvez a mais cruel: dois dias atrás, tinha resolvido voltar mais cedo do trabalho, queria sair com sua esposa e o rapaz que estava em sua casa desde que havia voltado de viagem, estava animado para sair com eles, estava sempre ocupado e na maioria das vezes não podia sair com os dois, ao entrar em casa, para seu espanto havia roupas espalhadas por toda a sala, no carpete duas taças vazias e uma garrafa de vinho pela metade, subiu as escadas, coração disparado, suas mãos tremiam na medida em que constatava algo tão óbvio desde o inicio, a porta estava entreaberta, do lado de fora do quarto ele viu sua esposa e aquele rapaz, queria poder gritar e dizer tudo o que estava entalado na garganta, que aquele rapaz havia tirado tudo o que ele tinha de mais precioso, que havia destruído todas as suas esperanças, que era o assassino da mulher que ele tanto amou e que só o criou pelo fato dele ser a única coisa que lembrasse sua primeira esposa, mesmo que fosse um erro, e agora ele estava com sua esposa, aquela que mostrou que ele poderia amar novamente. Mais uma vez aquele maldito bastardo estava arrancando sua felicidade, saboreando-a e rindo na sua cara. Ele já havia suportado muita coisa e aquilo foi a gota d’água.
Entre chuva, sangue e lágrimas aquele homem, mais uma vez, é tomado pela escuridão e pela certeza de que nem sempre o amor é algo belo.

Mairana M.

segunda-feira, julho 25, 2011

Relatos de uma madrugada vazia

Um sorriso de canto dos lábios é tudo o que podem oferecer um ao outro. Seus olhares são vazios, assim como o vazio da sala onde estão. Vazios por dentro e por fora. Ela acende um cigarro, ele se senta no sofá ao lado. Sorriem mais uma vez. Sabem que não há mais nada a se fazer. Ele olha mais uma vez para aquela mulher de nariz pontudo, sorriso meio amarelado e cara de psicóloga que sempre sabe o que estão pensando. Ela olha mais uma vez para aquele homem de barba mal feita, sorriso meio torto e com cara de artista que tem o bom coração e a sensibilidade pra falar e demonstrar o que sente. Eles se observam, cada movimento feito é analisado, mas sabem que isso é tudo, sabem que analisar-se não vai mudar a ferida deixada. Ela nota que muito tempo já se passou, são quase 11 horas e precisa voltar pra casa. Termina o seu cigarro. Ele percebe que chegou a hora da despedida e levanta-se. Oferece outro cigarro, ela recusa. Oferece uma bebida, ela recusa. Ela tem que voltar, já é tarde. Passou muito tempo naquele lugar. Ela encara aqueles olhos mais uma vez, mas agora não sorri, apenas o encara como se bastasse um olhar pra dizer tudo o que passava em sua mente. Ele também não fala nada, mas entende o que não é dito, se afasta e vai em direção à porta, abre-a, ela sai e ele sabe que nunca mais a encontrará de novo. Ao sair ela sente a sensação da liberdade, ele, a sensação de fracasso. Ele fecha a porta atrás de si, enche o seu copo de vodka, pega um cigarro e vai até a janela de seu apartamento. Passa alguns minutos olhando as luzes da cidade zombando de sua cara, mostrando o quanto estão vivas, enquanto ele morre por dentro. Abre a janela, talvez pra ver se ainda pode alcançá-la e dizer que não vá embora, que volte e que ele não viveria sem ela, mas sabe que já não adianta lutar, ele sente que esse foi o fim de sua jornada. Sente o gosto salgado de suas lágrimas, sorri pela última vez e saltando da janela, entrega-se ao vazio daquela noite fria em que ela o deixou.


Mairana M.




quarta-feira, julho 20, 2011

Decepção não mata, não te ensina a viver e não te deixa mais forte. Ela apenas nos mostra de uma maneira nem um pouco agradável o que estava na nossa cara o tempo todo.


Mairana M.

segunda-feira, maio 09, 2011

Quedas e Voos


Você sempre cai. Essa é a única certeza que temos.

Decidimos então, nos arriscar. Um prédio alto, nada melhor que o primeiro andar desse prédio pra começar a nossa aventura. Vamos até a varanda, respiramos fundo e pulamos, o tempo para, nossa respiração se acelera, sentimos uma emoção inigualável. Durante o nosso voo a última coisa em que pensamos é na queda que está cada vez mais próxima. E ela chega, nós caímos. O pulo não foi tão alto, não temos feridas expostas, nem tantas feridas internas. Estamos razoavelmente inteiros e a lembrança desse voo queima como fogo em nossas mentes. Eis a paixão.

Agora optamos por uma aventura mais perigosa.

Estamos no ultimo andar desse prédio, a altura é absurda, mas a confiança nos leva a crer que conseguiremos pular e sobreviver. E é o que fazemos. O surto de emoção inicial nos lembra o nosso outro voo, a adrenalina que foi voar pela primeira vez, porém sabemos que dessa vez é diferente. Após a emoção inicial, começamos a acreditar que tudo é possível, que nada pode nos atingir e até acreditamos nisso. Então, vemos o fim do nosso voo na nossa frente, a queda está próxima e não podemos voltar atrás, mudar nosso roteiro. Começamos a nos conformar com o fim, algumas vezes não suportamos a idéia e brigamos contra isso, o que acelera ainda mais a nossa queda. Ela é inevitável, apenas aceite. Até que ela chega. Não adianta correr, esconder-se, fugir... após nos entregarmos as emoções do voo, a queda é apenas o resultado, o fim. Caímos de uma grande altura, nossas feridas externas são mínimas, as internas gravíssimas. Nosso coração está em frangalhos e nos vemos sem reação, não podemos nos mexer, nem respirar, porque dói. Tudo dói. E não sabemos se sobreviveremos a essa queda.

Mas quer saber?

Sempre sobrevivemos. Nossas feridas viram cicatrizes que vão fazer questão de nos mostrar a hora da nossa queda e os seus estragos, mas também vamos ter o voo para recordar. Eis o amor.

E quando nos curamos, aprendemos que arriscar não faz mal. Porque o vôo recompensa a queda.

E você, está pronto pra voar?


Texto: Mairana M.

quinta-feira, abril 14, 2011

Pra sempre teu, Caio F.


Sinopse:

"Caio Fernando Abreu foi uma importante figura da literatura brasileira contemporânea. O jornalista foi grande amigo de Paula Dip, com quem conviveu durante 20 anos. 'Em para sempre teu, Caio F.' a autora reúne cartas, bilhetes e particularidades que dividiu com o escritor, além de depoimentos de pessoas importantes na vida de Caio, como Cazuza, Ney Matogrosso, entre outros. O resultado é um relato de quem acompanhou de perto o mundo do 'Escritor da Paixão' (como o definiu Lygia Fagundes Telles) até sua morte precoce, aos 47 anos, vítima de AIDS."

Como tudo o que se refere a Caio Fernando Abreu me fascina, com esse livro não seria diferente. Pra sempre teu, Caio F., não é apenas uma biografia, é um diário, são lembranças boas e más desse grande escritor. É um livro que prende a nossa atenção, assim como os livros de ficção que nos deixam presos no enredo até sabermos qual o final, qual o desfecho, esse livro nos faz querer conhecer melhor Caio F. não apenas como escritor, mas como pessoa, suas qualidades, defeitos, suas manias, enfim, um livro que nos mostra um Caio além dos seus textos intensos. Um Caio Fernando Abreu, que muitos não conheceram. Com cartas, memórias e depoimentos de seus amigos, esse é um livro que vale a pena ser lido.

domingo, abril 03, 2011

Aprende menina

Olha menina, depois de um tempo você se cansa de tudo isso. Eu já tive a sua idade, o seu corpo, a sua mente. Achava que o mundo cairia aos meus pés. Que todos os homens e até algumas mulheres me desejavam. Vestia-me para matar. Eu achava que era esperta assim como você acha que é agora. Sabia valorizar cada pedaço desse corpo, usava e abusava dele. E me considerava inatingível, ninguém poderia me conquistar. Ou até poderia, mas não seria o suficiente para me ter por inteiro, me acostumei com metades. Amava pela metade, desejava pela metade e me entregava pela metade. Ninguém era bom o suficiente para mim. E sabe o que eu ganhei com isso, garota? Não, você não sabe. Você acha que a minha vida foi a melhor possível. E realmente foi, eu vivi intensamente, tive todos os homens que desejei, tive tudo o que o dinheiro poderia comprar. Mas me tornei um ser vazio, sem alma, sem sentimentos. E isso não é bom. Me afastei de todos os que me amavam e perdi tudo o que um dia tive. E agora você me vê assim. Sem vida. Talvez eu não me arrependa de ter vivido dessa forma, porque, afinal, sempre tive tudo o que me importava. Saciei todos os meus desejos, que foram muitos. Mas agora tudo isso me dói, chego a pensar como teria sido uma vida de total entrega. Se eu amasse por inteiro e me entregasse por inteiro. Eu sofreria, choraria, faria várias cicatrizes em meu coração. Assim como todos os apaixonados, mas e se no final eu fosse feliz? Valeria a pena tantas quedas e arranhões se no final eu soubesse que teria todos os curativos necessários para tapar as minhas feridas.

Hoje em dia, tenho vontade de morrer. Sabia? Dar um fim em toda essa dor, em toda essa angústia, em todos esses “como teria sido se eu fosse diferente?”. Queria te ajudar, te dizer que não vale a pena viver dessa forma que eu vivi. Que no final você irá se arrepender, mas não posso. Você terá que fazer a sua escolha, assim como eu fiz a minha. Mas você tem uma vantagem, eu já lhe disse os espinhos desse caminho. Eu não tive essa vantagem. Talvez nem quisesse tê-la. Assim foi melhor, aprendi sozinha. Esse é o melhor jeito de aprender sabia? Bom, menina, estou cansada. Quem sabe outro dia nos encontramos de novo. E ai você me conta da sua vida.


Texto: Mairana M.

sábado, fevereiro 05, 2011

Minha amada, Martha Méier.

Terceiro andar, sala escura, o ambiente perfeito para uma história de amor, a minha história de amor, pra ser mais exato. Pois nem sempre amores são perfeitos. O amor também pode ser espinho e escuridão.

Na sala lá estava ela, Martha Méier, jamais imaginei poder amar alguém como amo aquela mulher. No auge dos seus 32 anos, ela era linda, exuberante e mantinha uma altivez e elegância raras. Sentada naquele velho sofá, vestia uma camisa minha, que por sinal ficava muito melhor naquele belo ser. Martha estava em seu ritual predileto, cigarro na boca, um copo de whisky em uma das mãos. Ela me fitava, aqueles olhos enigmáticos e sua voz rouca a tornavam ainda mais sensual. Cantarolava a sua música favorita: “L’amour, hum hum, pas pour moi.”.

Como sempre fazia, colocava o copo ao seu lado, vindo em minha direção. Seus olhos me hipnotizavam e eu sempre me rendia em seus braços, ela sorria.

- Sempre tão fácil. – cochichava em meu ouvido.

- Não há como ser difícil com você, meu amor. – eu respondia.

Martha então me beijava tão ardentemente que por vezes faltava-me o fôlego. Eu a amava, cada momento com ela era único e inesquecível. Eu acariciava o seu corpo que parecia esculpido por deuses. Sua pele era suave como a seda. Ela me proporcionava noites de prazer inimagináveis. Então, dormíamos abraçados. Na manhã seguinte, ainda deitado comecei a admirá-la. Ela acordou.

- Você é o melhor presente. Eu te amo como nunca foi possível alguém amar. Cada centímetro de teu corpo é como uma jóia para mim. Eu te amo, Martha. – declarei todo o meu amor.

Ela sorriu.

- E você sabe que eu não te amo... Onde você deixou o meu dinheiro? – ela perguntou como sempre fez.

- Por que você não me ama? – perguntei-lhe aflito.

- Porque esqueceram de colocar todas as funções de meu coração. Ele apenas me mantém viva. Porque amor, ele não sente. E onde você deixou o meu dinheiro?

- Está na cabeceira, pode pegar. Quando você vem agora?

- Você sabe o meu número, é só chamar que eu venho. Agora eu tenho que ir. Tenho muitos clientes hoje. – ela era metódica.

- Você sabe que pode largar essa profissão e vir morar comigo. – eu suplicava.

- Eu só venho lhe ver porque você me paga bem. Eu não vou lagar a minha profissão. E agora eu já vou. Beijo.

E ela ia embora, deixando-me de lado. Trocando-me por outros homens que assim como eu pagavam para tê-la. Mas eu sou o único que a ama de verdade. E um dia ela perceberá isso.

domingo, janeiro 02, 2011

Sem romance


Ela estava apaixonada. Não só por uma figura imaginária, como sempre foi. Agora era real. Ele existia. Mas ela nunca foi romântica, carinhosa. Ela nunca havia amado alguém. Estava acostumada a ser fria e grossa com quem ousasse se aproximar. Mas o que lhe havia acontecido? O que esse garoto tinha de especial? Na verdade, nada. Ele era apenas mais um. Mas que importância tinha isso? Nenhuma. Ela o amava e ponto final.

Sem mais saber o que fazer, ela vestiu-se de coragem e foi se declarar. Em sua mente, ela chegaria a casa dele e lhe roubaria um belo beijo, sem mais palavras ela iria embora. Depois imaginou algo melhor, acrescentou detalhes, ela era boa nisso.

Momentos depois, a imagem em sua mente já havia se tornado algo surreal, uma cena vista apenas em filmes românticos. Ela sabia que não aconteceria dessa forma. Mesmo assim, ela foi. Tinha que se declarar. Tinha que provar seu amor, pelo menos uma vez. E não esperava nenhum resultado, nenhum pedido de namoro, nem carinho. Ela só queria provar a si mesma que era capaz de lutar pelo amor. Ao chegar, ele não estava. Para ela, isso era um sinal. Foi embora, como sempre fazia. Jogou seu amor no lixo e esqueceu. Ela era assim, jogava os sentimentos que não mereciam créditos. Os jogava para que toda vez que teimassem em aparecer, fossem como uma primeira vez, uma primeira paixão. Mas ela não persistia na luta, talvez porque soubesse que não valia a pena, talvez por medo ou porque gostasse de ser assim.


Texto: Mairana M.

sábado, outubro 30, 2010

Presságio de uma morte


Mais um dia normal na escola, ou talvez não. Os alunos começavam a chegar e ao verem uma multidão ao redor de algo, ficavam curiosos e iam até lá ver do que se tratava. Ao chegarem o seu choque era evidente, eles não falavam nada. Estavam assustados, atordoados e com o estomago embrulhado com aquela cena. Ninguém sabia o que fazer diante daquilo. Até que eu, enfim, cedi a minha curiosidade e fui ver do que se tratava. Ao chegar ao local, fiquei atordoada como todos que estavam lá. Eu vi o desespero nos olhos daquele menino caído no chão sobre uma garota. Ela estava ensanguentada, ele com a arma do crime em mãos, uma faca. Mas ele não demonstrava sentir ódio daquela menina que havia assassinado, ele chorava arrependido do que tinha feito.

Passado esse momento de choque, todos os alunos começaram a realmente entender o que tinha acontecido ali. E sentiram medo daquele menino, todos recuavam apressadamente, menos eu. Eu sabia o que havia acontecido, aquele menino havia matado uma garota, mas eu não tinha medo dele. Eu sentia compaixão. À medida que os outros alunos se distanciavam do local, eu me sentia mais presa aquele garoto. Então me aproximei dele, sem medo, sem raiva. E ele me abraçou, nenhuma palavra foi dita, ele me apertava junto ao seu corpo. E pela primeira vez aquele menino chorou. Eu sabia que nada mudaria aquela situação, então tentei confortá-lo ao máximo. E no silêncio daquele momento notei olhares curiosos, acusadores e até mesmo assustados com a possibilidade daquele menino tentar algo contra mim.

Algum tempo depois, eu estava de frente à menina morta e seu assassino. A policia chegou e o chamou para que os acompanhasse, eu vi o medo nos olhos daquele menino. Então, resolvi acompanhá-lo.

Ao chegarmos à delegacia, a tensão daquele menino só aumentava. Os policiais o olhavam com desprezo e consequentemente me encaravam por eu estar ali, ao lado de um assassino. Então, pela primeira vez ele falou comigo.

- Por que você veio? Eu matei uma menina e você ainda vem comigo pra delegacia?

- Eu não sei porque vim, simplesmente achei que era o certo a fazer. – respondi da forma mais sincera.

- Não, não era o certo. Você viu, eu sou um assassino. Embora não lembre, eu matei aquela menina. - ele parecia agitado.

- Como assim não se lembra? Você a matou, certo? – eu estava confusa.

- Acho que sim, não sei. Quando eu vi já estava com uma faca ensanguentada nas mãos .

- Eu não consigo entender. Como você não sabe que a matou? – eu o questionei.

- Eu já disse que não sei, tem algo errado comigo. E você não deveria estar aqui. É melhor você ir embora, enquanto é tempo.

- Eu não vou embora. Eu quero te ajudar. Eu senti isso desde que o vi sobre o corpo daquela garota.

- Vocês nunca aprendem não é? Aquela garota também quis me ajudar. E veja o que lhe aconteceu. – ele havia mudado repentinamente, agora estava diabólico.

- O que você disse? Você se lembra do que fez? – eu estava apavorada.

- Como eu iria esquecer? Uma menina tão linda e tão boba. Bem parecida com você.

- Mas... você me disse que não lembrava de nada. Por que agora me diz isso?

- Ora, ora, ora. Você que escolheu por isso. Você não quer me ajudar?

- Não, agora eu quero ir embora. Você está louco.

Eu me levantei para ir embora, mas ele foi mais rápido e segurou-me, tapando a minha boca para que ninguém ouvisse meus gritos. Mas ninguém apareceria, eu sabia disso. Eu estava em pânico. E ele sorria de prazer.

- Você deveria ser mais esperta. Pena que não terá oportunidade para mudar. Você sabe o que farei agora? - ele sentia prazer com o meu sofrimento.

Eu estava assustada. Ele me apertava com mais força. Dizia-me algumas coisas sem sentido. Palavras que eu não entendia, como se fossem outra língua. Ele estava eufórico, louco, diabólico.

- Você irá sentir muita dor no começo. Mas logo passará e depois você não sentirá mais nada. Você irá fazer companhia a todas as outras garotas que assim como você, tentaram me ajudar. Ninguém pode me ajudar, nem me deter. Eu sempre irei vagar pela Terra, derramando o sangue das mais belas criaturas e arrancando seus corações bondosos. E nada me alegra mais do que isso. Dorme bem, bobinha.

Ele apertou a faca contra o meu peito e vagarosamente cravou-a em mim. Eu urrei de dor, mas de alguma forma ninguém me ouviria. Ele me esfaqueou de várias formas, até que não senti mais nada. E tudo se tornou escuridão.

Eu sentia alguém me puxar, mas eu não conseguia ver quem era. Estava com medo que fosse aquele garoto. Mas essa mão me puxava com mais força. Sacudia-me. E quando eu consegui abrir os olhos, percebi que tudo aquilo havia sido um sonho. Minha mãe estava tentando me acordar, eu estava atrasada para a escola. Troquei de roupa e fui direto para o colégio. Ao chegar vi uma aglomeração de alunos ao redor de algo, fiquei curiosa e um pouco receosa. Resolvi ver do que se tratava, e ao chegar ao local. Meu pavor era evidente. No chão, estava um menino com uma faca em mãos e um corpo ensanguentado ao seu lado. O menino me encarava. Eu gritei de pavor e sai imediatamente daquele lugar.

Texto: Mairana M.


quarta-feira, outubro 27, 2010

Nada ficou


E de tudo, só restou o vazio. Ela não sentia nada por ele. Nenhum sentimento bom, como costumava ser, antes daquele dia. Nenhum sentimento ruim. Ela queria sentir raiva, rancor, desprezo. Mas simplesmente só conseguia ignorá-lo. Ele tornou-se o vazio, o nada. A sua presença não seria notada. Ela não sentiria saudades dos velhos tempos. Muito menos, o desejo de saber como tudo seria. Ela perdeu a vontade de vê-lo, abraçá-lo ou qualquer outra vontade relacionada a ele. Ela esqueceu. Assim como sempre fez. Ela sempre esquece os que nada significaram. Ou que até significaram algo, mas que acabaram por matar qualquer laço, qualquer sentimento. Todos os outros tornaram-se o nada absoluto para ela. E ela como sempre faz depois de um tombo, ergueu-se, arrumou novamente a sua roupa, ajeitou seus cabelos, tornou-se apresentável novamente e continuou a sua caminhada, como se nada tivesse acontecido. Ela supera, com a mesma facilidade e rapidez de sempre. E sempre volta mais bela e mais forte que antes.


Texto: Mairana M.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Conto inacabado

Chovia. Havia dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranqüilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?

Direcionamos-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.



P.S : A partir daí, ninguém sabe o que aconteceu, principalmente a autora do conto.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

sexta-feira, setembro 17, 2010

Escrever


Escrever me faz evoluir, alimenta a minha alma. Cada palavra escrita é como um pedaço meu que eu entrego e que expressa o que sinto. Uma parte de mim é deixada em cada texto que escrevo. As minhas opiniões e percepções intensificam-se. Às vezes é como se cada texto escrito desse origem a um novo ser, uma nova parte de mim desconhecida e isso aumenta a minha insana vontade de escrever mais e mais. Assuntos banais agora me interessam. Quero descrevê-los. Explicá-los. Desenvolvê-los. Quando escrevo, o meu lado que não consegue expressar sentimentos é isolado e dá espaço aquele que consegue expor tudo o que sente, sem medo algum. Escrever para mim é abraçar a minha alma e escutar tudo o que ela tem a dizer, é prestar atenção ao que sempre grita dentro de mim e não consigo ouvir, é dar atenção a mim mesma. Você já experimentou essa sensação? Abraçar a sua alma, prestar atenção em suas palavras e depois transcrevê-las para que outras pessoas ou apenas você mesma consiga entendê-la? Eu faço isso constantemente, como estou fazendo agora. Estou aqui ouvindo tudo o que minha alma tem a dizer e essa sensação me deixa maravilhada, é como se eu pudesse tocar a minha alma, tê-la bem ao meu lado e simplesmente conversar com ela, entendê-la melhor.

Escrever me dá asas, posso voar na minha imaginação. Posso fazer o que quiser e pensar o que quiser sem me importar com mais nada. Escrever é organizar os meus pensamentos mais incompreensíveis. Quando escrevo compreendo os meus defeitos e qualidades, me conheço melhor. E assim, quem lê também me entende, não completamente, mas o suficiente.

Escrever para mim é me descobrir nova e revigorada a cada parágrafo. É me conhecer cada vez mais. Escrever é me expressar. E essa foi a forma que encontrei para expor o que não consigo simplesmente falar. Por isso escrevo.


Texto: Mairana M.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Medo e Obsessão

Fui no embalo de Linderson e resolvi fazer um conto e postar aqui, espero que gostem ;D


Medo e Obsessão

Eu sempre soube que ele me observava, ele não fazia a mínima questão de se esconder ou ser discreto, eu o via na janela de sua casa olhando para mim ou na sala de aula me encarando. Ele era um garoto estranho, que eu evitava falar, fingia que não o via e achava que isso seria o melhor para mim. Ou não. Pois mesmo eu não o olhando e tentando evitá-lo ao máximo, ele sempre estava olhando para mim. E não sabia ao menos disfarçar tal obsessão. Isso me deixava assustada. Eu tinha pânico só em imaginar voltar sozinha para casa, com aquele garoto me perseguindo, a minha sorte era Caren, uma menina do colégio. Ela morava perto da minha casa e sempre vinha comigo. Mas ela morava um pouco antes e eu tinha que andar sozinha até chegar a minha casa. Era com certeza a coisa mais aterrorizante e eu passava por essa tensão todo dia. Aterrorizante porque eu percebia os olhos daquele garoto sobre mim, e eram olhos furiosos. Dan era o seu nome, e só de falar já fico arrepiada, pois me lembro do pior dia da minha vida. O dia em que ele resolveu que eu seria sua.

Antes que eu esqueça, o meu nome era Elizabeth. E eu estava longe de ser a garota linda e popular do colégio. Mas tinha amigos, tirava boas notas e era feliz com a vida que eu tinha. Até o dia em que o Dan, fez algo que mudou tudo.

Eu não entendia a obsessão dele por mim, eu não era muito atraente e não posso dizer que tinha muitos pretendentes, pois não tinha.

Estava tudo normal, até que um dia eu recebi uma notícia da Caren, que me deixou muito abalada, ela iria morar em outra cidade. As palavras dela gritavam em minha cabeça; ‘Elizabeth, eu vou me mudar’. As palavras que mudaram completamente a minha vida. Um mês depois, Caren foi embora e eu fiquei em estado de pânico, eu teria que voltar sozinha a partir daquele dia, quer dizer, quase sozinha, pois ele sempre estava comigo.

O tempo passou muito rápido e logo chegou o dia em que eu teria que voltar sozinha para minha casa. Sem a Caren, eu estava paranóica, passei todo o tempo que estava na escola, olhando para os lados, procurando o Dan, sempre que o achava ele estava me olhando. E isso me deixava ainda mais apreensiva, não consegui aprender nada naquele dia, estava totalmente fora de mim. E tudo piorou ainda mais, quando na hora do intervalo ele se aproximou de mim e pela primeira vez, falou comigo:

- Oi, Elizabeth. Posso me sentar ao seu lado? – ele me olhava de um jeito tão assustador que fiquei com medo de recusar.

- Oi. Pode sim. – eu estava trêmula, mãos geladas e pedindo socorro por dentro.

Ele sentou-se ao meu lado e ficou me encarando por um longo tempo, sem nada dizer. Ele definitivamente me assustava, eu estava paralisada ao seu lado. Não agüentando mais decidi sair dali. E para não ser totalmente grosseira lhe disse:

- Dan, eu vou para a minha sala. Até mais. – no mesmo momento me arrependi desse ‘até mais’. Era muito melhor eu apenas ter dito “até nunca mais”. Essa era a minha vontade.

- Ah, ta certo. Eu vou junto com você então. A gente é da mesma sala mesmo né? – ao falar isso, ele pegou a minha mão, beijou-a e depois ficou segurando-a. Eu estava a ponto de sair correndo e gritando daquele lugar. Mas apenas consegui dizer.

- É.

Segui todo o caminho até a sala em silêncio, com ele ao meu lado, como sempre me olhando. Ele não percebia o quanto isso me deixava assustada, ou talvez percebesse e não se importasse com isso. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, eu acho que tudo o que ele queria era realmente me assustar. Ao entrar na sala, fui direto ao meu lugar e me sentei sem notar a presença daquele garoto, ainda ao meu lado e me olhando como nunca. Dei um sorriso meio sem graça e tentei fazer outra coisa, abri meu caderno e comecei a rabiscar. Não adiantou muito, pois ele continuava ao meu lado, me olhando. Então, mais uma vez ele falou comigo:

- Eu notei que você está indo sozinha para sua casa. Deve ser chato não ter com quem conversar... – rezei para ele não se oferecer a vir comigo, e antes que ele terminasse de falar, fui logo dizendo.

- Não, eu gosto mais de andar sozinha. Eu tenho mais tempo para pensar. – disse isso com a voz um pouco desesperada. E ele notou isso.

- Mas, você poderia vir comigo, eu sempre saio na mesma hora que você e como moramos perto um do outro, eu pensei que talvez... – o interrompi novamente.

- Não é necessário, eu gosto de andar sozinha. E além do mais, eu seria uma chata todo o caminho. Você iria enjoar de mim.

Ele ficou calado por um momento e para meu alívio, o professor entrou na sala e mandou que todos se sentassem em seus lugares. Ele foi para seu lugar e eu não fui nem um pouco discreta em mostrar meu alívio sobre aquela situação.

Chegou a hora de ir embora. Voltei a ficar aterrorizada com a idéia de voltar para casa com ele. Peguei as minhas coisas e sai correndo da escola. Fui por um caminho diferente e mesmo assim percebi que alguém estava me seguindo. Olhei para trás e o vi. Andei ainda mais rápido para ele não conseguir me alcançar, esforço que logo percebi ser em vão. Ele parecia gostar daquele meu desespero, sua expressão não negava isso. Ele tinha um rosto de quem estava animado e eu de quem estava morrendo de medo. Ao ver a minha casa, comecei a correr ainda mais e quando cheguei, abri a porta e cai no chão, exausta. Depois desse dia, ele parou de falar comigo na escola, mas não parou de me olhar, pelo contrário, seus olhares me assustavam ainda mais. Eu ainda o via pela janela do meu quarto, parado, me encarando.

Passaram-se vários dias, até que chegou a semana do meu aniversário. Como era de se esperar, ganhei poucos presentes e apenas algumas pessoas na escola lembraram-se da data. Nesse dia para o meu espanto, Dan não apareceu na escola. Isso me deixou aliviada e ao mesmo tempo apreensiva. Eu sentia que isso não era um bom sinal. Ao terminarem as aulas, voltei para casa como de costume, sempre olhando para os lados, com medo de Dan estar me seguindo. Para minha felicidade, ele não estava em parte alguma. Felicidade esta que não durou por muito tempo, pois um pouco antes de chegar na minha casa, eu o vi. Ele tinha um sorriso diabólico em seu rosto e quando percebeu que eu ia correr dele, veio ao meu encontro. Eu fiquei sem ação. E ele falou:

- Oi, Elizabeth. Sei que hoje é o seu aniversário. Não fui à escola porque estava preparando uma surpresa para você. – ele parecia estar apreensivo ao falar isso, pois não parava de olhar para os lados. E isso me deixava muito mais assustada. Então eu disse:

- Ah, não precisava de nenhuma surpresa, eu estou um pouco apressada para chegar em casa, depois a gente se vê.

Nesse momento, foi como se ele virasse outra pessoa, me segurou pelo braço e praticamente gritou comigo:

- Você tem que vir comigo agora, eu fiz uma surpresa e você tem que vir.

Eu estava em estado de choque, ele me segurou com mais força e foi me puxando até o quintal de sua casa. Era um lugar imundo, cheio de coisas velhas, mal dava para ver a minha casa agora. Eu tentava gritar e fugir dali, mas ele tapou a minha boca, como se já imaginasse que eu faria isso. Quando chegamos em frente a uma arvore, ele me soltou e ficou olhando para mim, do mesmo jeito de antes, com olhos assustadores. Eu pensei em correr, sair dali, mas eu estava tão assustada que não conseguia sequer sair do canto. Ele então pegou um objeto que estava perto a uma árvore e me entregou. De inicio eu não entendi do que se tratava, mas logo vi que era um porta retrato, nele tinha uma montagem de fotos minhas que ele tirou enquanto eu não estava vendo, eu fiquei apavorada ao ver que tinha fotos até em momentos íntimos, como ele poderia ter tirado essas fotos? Eu o olhei e perguntei:

- Onde? ... Como? ... Como você tirou essas fotos? ... Você é... – eu estava sem palavras, diante essa situação. Ele me olhou com sarcasmo e disse:

- Eu não ficava só te olhando na escola ou pela janela do meu quarto. Eu te segui e te admirei em todos os momentos do seu dia. Até quando você dormia. E você nunca me notou.

Eu estava sem palavras diante disso, lágrimas se formaram em meu rosto. Então, eu joguei o porta retrato no chão, que ao cair quebrou-se em pedaços. Isso o deixou furioso, eu via isso em seus olhos. Então comecei a correr desesperada, mal dava pra ver o caminho, meus olhos cheios de lágrimas impediam que eu visse tudo com clareza. Quando eu senti as mãos dele me segurando mais uma vez, ele me pegou e me puxou. Eu tentava lutar contra ele, me soltar daquele menino estranho e maluco. Mas ele estava fora de si e não me soltava. Ele então gritou:

- Você será minha, por bem ou por mal. E não adianta tentar fugir. Você é minha.

E isso foi a última coisa que eu ouvi, enquanto viva. Eu não lembro o que aconteceu, mas momentos depois eu me vi caída nos braços daquele menino. Eu não estava lá, eu estava fora dali, vendo tudo de longe, como se aquele corpo caído não fosse meu. Só depois eu entendi que eu havia morrido. Eu só consegui ver aquele menino chorando sobre meu corpo e depois mais nada. Passei muito tempo sem ver nada, apenas o branco, até chegar onde estou hoje. Meu novo lar, acho que chamam de paraíso. Sim, deve ser o paraíso, aqui é lindo. E eu sou feliz aqui.



Texto : Mairana M.