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quinta-feira, julho 12, 2012

Uma história de amor ou algo do tipo


I
Chovia. Podemos avistar dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranquilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?
Direcionamo-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.

II
Em outra área da cidade, alguns dias atrás, entramos no que parece ser um quarto de um hotel vagabundo, paredes vermelhas um pouco mofadas pela umidade, carpete velho e apodrecido com marcas e talvez lembranças das pessoas que outrora estiveram naquele cômodo, uma poltrona velha, mas que de alguma forma talvez mística trazia beleza àquele quarto, da janela podemos ver o rio que circunda a cidade. Mudamos o foco para o centro do quarto, um criado-mudo, um abajur quebrado, um cigarro com suas cinzas queimando, um livro estrangeiro e a cama que nos chama a atenção, rangendo a cada movimento feito pelo casal. Ela tinha uma feição agradável, não era bonita, mas algo em seu jeito fazia com que ela atraísse olhares. Ele aparentava ser um pouco mais novo, era bonito, tinha um porte de quem praticasse esporte, tênis talvez, quem sabe. O casal não conversava, apenas encaravam-se, como se apenas com o olhar pudessem se comunicar, como se qualquer palavra dita fosse como uma pedra atirada em direção a uma frágil vidraça. Falar era proibido, talvez por tornar real o que eles queriam enxergar como “uma aventura, uma brincadeira, nada demais”, era isso o que eles diziam quando não estavam naquele cômodo sujo e ainda assim mágico. Então, ele, sempre era ele, resolveu quebrar aquele momento de cumplicidade, seria essa a palavra? sim, cumplicidade, aqueles dois tornaram-se cúmplices desde aquele dia em que conheceram-se, quanto a isso, por enquanto, basta sabermos que conheceram-se num bar, que também era próximo aquele prédio onde visitaremos num futuro próximo. Está ficando confuso? perdoe-me, mas estou apenas os guiando por essa história. Como eu falava, o rapaz quebrou o momento de silêncio e cumplicidade, ele disse estar cansado de sempre ir aquele lugar, queria algo novo, uma nova aventura, o quarto de paredes vermelhas mofadas pela umidade já não era mais tão vívido quanto no início, ela apenas acena como quem concorda e o silêncio reina mais uma vez.

III
Finalmente a memória do homem parado em frente aquele corpo banhado em sangue e sem vida, começava a ficar nítida. Lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ele era tomado pela primeira lembrança: ele estava um pouco mais jovem e com um recém-nascido em seus braços, chorava enquanto olhava a sua esposa sem vida naquela maca de hospital onde acabara de dar a luz a um filho que depois descobriria não ser seu.
Abana a cabeça como para afugentar aquela memória que tanto o perturbava, não queria mais pensar naquele dia. Olhou para o cadáver do homem que um dia tivera em seus braços, admirou-se de quão belo ele era e foi tomado por mais uma lembrança: ele já estava um pouco mais velho, ao seu lado, sua segunda esposa, com quem aprendera a amar novamente, ambos divertiam-se naquele bar, ele estava um pouco ansioso, iria reencontrar aquele rapaz que criara como se fosse seu filho, não se viam desde que ele resolvera viajar pelo mundo. O rapaz aparece muito belo, agora tinha porte de homem e parecia inteligente e experiente demais para sua idade, cumprimentam-se, o homem mais velho apresenta então sua esposa àquele rapaz, os três conversam a madrugada inteira, voltam para casa e continuam bebendo e conversando, o homem mais velho resolve ir para seu quarto, chama sua esposa que diz que vai depois, que quer conversar e beber um pouco mais com aquele rapaz, ele vai, os dois ficam. Novamente, abana sua cabeça, não conseguia suportar o quanto foi tolo durante todo aquele tempo. Cai de joelhos naquele chão ensopado de sangue e chuva e é tomado por mais uma lembrança, talvez a mais cruel: dois dias atrás, tinha resolvido voltar mais cedo do trabalho, queria sair com sua esposa e o rapaz que estava em sua casa desde que havia voltado de viagem, estava animado para sair com eles, estava sempre ocupado e na maioria das vezes não podia sair com os dois, ao entrar em casa, para seu espanto havia roupas espalhadas por toda a sala, no carpete duas taças vazias e uma garrafa de vinho pela metade, subiu as escadas, coração disparado, suas mãos tremiam na medida em que constatava algo tão óbvio desde o inicio, a porta estava entreaberta, do lado de fora do quarto ele viu sua esposa e aquele rapaz, queria poder gritar e dizer tudo o que estava entalado na garganta, que aquele rapaz havia tirado tudo o que ele tinha de mais precioso, que havia destruído todas as suas esperanças, que era o assassino da mulher que ele tanto amou e que só o criou pelo fato dele ser a única coisa que lembrasse sua primeira esposa, mesmo que fosse um erro, e agora ele estava com sua esposa, aquela que mostrou que ele poderia amar novamente. Mais uma vez aquele maldito bastardo estava arrancando sua felicidade, saboreando-a e rindo na sua cara. Ele já havia suportado muita coisa e aquilo foi a gota d’água.
Entre chuva, sangue e lágrimas aquele homem, mais uma vez, é tomado pela escuridão e pela certeza de que nem sempre o amor é algo belo.

Mairana M.

domingo, julho 31, 2011

38° graus


O sol raiava fortemente ao norte, temperatura de 38° graus. O dia pedia praia, apesar dos tantos compromissos já marcados. Desliguei o telefone e peguei o primeiro ônibus em direção a uma praia qualquer.
A praia estava cheia, eu não era a única a ter faltado ao trabalho. Rapazes esbeltos passavam caminhando. Alguns jogavam vôlei. Crianças corriam em direção à praia. Mulheres simpáticas se bronzeavam ao meu lado. Fechei os olhos e me deixei fluir pelos raios solares; gotas de suor começaram a correr.
Senti algum obstáculo se por entre o sol e meu corpo; abri meus olhos e vi um lindo sorriso e logo após olhos castanhos marcantes. Ele se apresentou como Carlos. Começamos a conversar descontraidamente e quando dei por mim, já havíamos nos beijado. Um beijo levemente salgado. Delicioso.
Fomos em direção a praia, se refrescar e apimentar mais aqueles beijos. Afinal era um domingo lindo e Carlos estava lá comigo, como sempre! As coisas não poderiam estar melhores.
O mar estava uma delicia aquela brisa gostosa, aquele mar sem ondas. E o sol lá, me bronzeando conforme os minutos se passavam. Apenas eu e ele. Só necessitava dele.
O cloro começou aos poucos a enrugar minha pele. Eu já estava naquela piscina há duas horas, dormindo, deitada sobre esse tempo gostoso. Em dentro de uma hora eu deveria ir ver Marcos. O amor de minha vida.
Sentei-me na borda da piscina e lembrei que amanhã eu precisava acordar cedo, eu precisava procurar um trabalho, já estou três meses desempregada. Preciso pegar as rédeas de minha vida.
Liguei o telefone; Não demorou muito para uma mensagem chegar.

“Onde você está meu amor? Anda dormindo de novo? O dia está lindo! Quando acordar me liga; podemos ir para alguma praia ou piscina. Eu te amo. Do seu namorado.

Paulo, 1 de Maio de 1999”

domingo, julho 24, 2011

Papai

Ele odiava ouvir essa palavra pronunciada da minha boca. “Vá tomar no cu”, ele dizia com raiva e eu apenas respondia: “Eu já tomei”. Ele não agüentava isso, eu via logo aquela pequenina lagrima cair e um sorriso brotava instantaneamente. Apesar dos pesares, nós nos amávamos e era aquela coisa sincera, deliciosa, prazerosa e com certeza perigosa!
 
- Você devia parar de me chamar assim, você sabe que eu não gosto desse epíteto.
- Mas por que papai? Não é você quem cuida de mim, me da carinho, amor, me alimenta?!
 
Seu rosto se enrubescia; perdi a conta de quantas vezes tivemos essa conversa e sempre era delicioso ver o rosto dele se avermelhando com tamanha facilidade.
Conhecemo-nos... Em uma sala de bate-papo apenas para adolescentes, entrei com o apelido “Anjinha14”. Virou rotina entrar naquela sala, sempre no mesmo período, já era conhecida e já tinha feito muitas amizades na mesma; eram praticamente sempre as mesmas pessoas, logo era fácil reconhecer alguém “novo” na área. Foi então que apareceu Marcos, o qual tomei desconhecida simpatia; morávamos na mesma cidade, tínhamos o mesmo gosto, trocamos elogios, o próprio chegara a me perguntar: “Você realmente tem apenas 14 anos?”. Lisonjeada respondi: “Claro que tenho, porque eu mentiria minha idade?”. Minutos se passaram e não houve qualquer resposta, qualquer sinal de vida do Marcos; decidi telefonar para ele, desde então eu só o tinha anotado na memória do meu telefone, porém nunca tive coragem de ligar, a minha típica timidez não me permitia à tamanha proeza.
Ouvi uma voz grossa e ríspida dizer um “ALÔ”. Gelei. Perguntei-me se aquele poderia ser o pai de Marcos.
 
- Alô. O Marcos está?
- Diga, sou eu.
 
Fiquei sem palavras, não sabia o que dizer. Decidi apenas ficar em silêncio.
 
- Alô! Alguém aí?
- Oi, sou eu, Anjinha...
 
Um silêncio assustador ficou entre nós.
 
- Desculpe-me Ligia; acho melhor não nos falarmos mais.
- Mas por quê? Eu gostei de você e você me disse o mesmo!
- Porém eu tinha a esperança de que você estivesse mentindo sobre sua idade.
- Claro que não! E do que isso importa? Se nós nos gostamos, deveríamos levar isso em frente...
- Eu posso ser preso meu anjo e você sabe disso.
- Isso não é justo! Vamos tentar... Ninguém precisa saber nada sobre nós!
 
E assim foi. Tenho que admitir que tivemos momentos difíceis; porém, isso ficará para outro dia. Hoje eu só quero comemorar os dois anos que estamos juntos e sinto que esses anos se transformarão em décadas.






Humor em 2d
   




quinta-feira, julho 21, 2011

Sada

Graça ao meu senhor consegui pegar o ônibus. Quinta sessão no mesmo dia; tudo está começando a melhorar.
Meu nome é Maíra, tenho 25 anos e sou sadista. Trabalho fazendo “sessões” desde os meus 23 anos. Sempre tive preconceito com essas formas alternativas de sexualidade, mas depois daquela transa...
Meu cliente já estava me esperando na porta (que eu gosto de chamar de “Meu Consultório”), se apresentou como Hugo, fazia tipo surfista (aparentemente filhinho de papai), olhos castanhos Carlos, cabelos de anjo, claros como o sol. Era tão charmoso, que quase tive pena durante um breve segundo.
... Lá estava eu, trepando com aquele desconhecido em um motelzinho barato. Estava tudo bom, o vai-e-vem, aquele calor... Comecei a mordê-lo, ele começou a gritar, dizendo que adorava aquilo e pedia para eu morder com mais força, se possível que sangrasse, estranhei de primeira, mas a excitação já havia me tomado, e o fiz. Os gritos de dor/prazer dele me enlouqueciam, causava-me uma sensação estranha, um prazer diferente, mais intenso do que os habituais. Logo mordidas se transformaram em arranhões, arranhões em tapas e tapas em orgasmos sucessivos.
E assim me transformei em uma sadista, se as portas não fossem a prova de som, vocês estariam neste momento ouvindo os gritos de Hugo.




Não sei porque, mas ultimamente ando bastante inspirado para escrever sobre certos assuntos ...

Humor
   

quarta-feira, julho 20, 2011

Nekrós

E foi assim a primeira vez que a vi, estirada no chão, aberta, com sangue escorrendo entre suas pernas. Visão linda foi aquela! Tirei uma foto, afinal, ela estava tão linda naquela posição, tão indefesa, tão frágil. Eu tinha que tê-la para mim! Levei-a para o Box; seu corpo já estava gelado. Esquentei a água e dei um bom banho quente; escolhi uma roupa a esmo e a coloquei sobre meus ombros e partimos.
O céu desabava em nós dois, relâmpagos e trovões gritavam. Chegamos rápido em casa, ti pus na minha cama, meus lábios encostaram-se aos seus, do seu lado sentei e fiquei ti observando... Observando durante horas e horas, até começar a perder sua cor, a se decompor e assim sumir; para sempre, da minha vidinha medíocre.




E pra não perder o humor...
  

domingo, julho 17, 2011

14 de Maio de 1998




02:12
O céu está nublado, talvez logo, logo possa chover um pouco. Não seria nada mal tomar um banho de chuvas, daqueles gelados, grossos, que levam a alma. Não seria mesmo.
04:35
Já está tarde para dormir, já, já o sol nasce e eu estarei lá para ver seu nascimento. Faz tanto tempo que não o vejo, ando ficando trancado em casa tempo demais.
06:10
Acho que preciso tomar algum providência referente a esse amor. Ficar do jeito que tá, infelizmente não dá, ou talvez quem sabe dê!
Pego o mp3, e aproveito o clima romântico/confuso, começo a escutar nada mais, nada menos que “Amores Platónicos”.
09:55
A vontade de pegar meu cel e ligar para ti é tão grande! Dizer o que realmente sinto, dizer que faço tudo por você; faço até maldade, destruo seu namorinho de merda. Só para você ser minha, apesar de não me importar, se você tem outros ou não.
13:01
Eu queria sonhar contigo, ti dar um pequeno beijo, mesmo que esse fosse em um rápido sonho ou até mesmo, pesadelo. Eu não me importaria, só em ter esse fútil prazer eu já estaria feliz.
15:58
Aula de Inglês. Enquanto todos falam os pronomes pessoais e possessivos, eu só penso “I Love You”.
Creio até que estou me iludindo, afinal, eu mesmo nem sei o que é o amor. Mas hoje em dia, é praticamente impossível encontrar alguém que realmente o sinta, que saiba como é a sua verdadeira essência. Mas uma coisa eu sei, “Eu te amo” não é um “Bom Dia”.
19:29
Hoje entrei no seu Orkut, vi suas fotos, seus sorrisos meigos, confesso que olhei rapidamente seus recados.
Ah, esse ciúme louco que me move a viver, me move a querer sempre mais e nunca ter o bastante, nunca estar satisfeito.
20:03
Por isso me bate aquela infelicidade, aquele desgosto de viver. Aquela vontade de morrer. Desejaria ser menos confuso, saber o que eu quero e não quero. É cansativo querer tudo e nada ao mesmo tempo.
22:15
Preciso ir dormir, descansar, repousar. Olhar para os lados, para o passado e para o hoje, para assim planejar o amanhã e assim, outra vez viver.

quarta-feira, julho 13, 2011

Solity

Contaram-me em certo dia nublado, no meado de julho, que havia um ônibus. Um ônibus com paradas, mas sem descanso, sem motoristas, mas com passageiros; passageiros solitários, que estavam à busca de algo, talvez um sentido, talvez um alguém, talvez até riqueza. Ônibus este que rodeava apenas um pequeno estado, de um pequeno país, perdido nas Américas. Logo então o procurei, o busquei; esse modo todo especial de ser, me instigava, delirei imaginando os seus passageiros, quem seriam? O que procuravam?
Lembro-me daquela lua cheia, naquela quinta-feira de outubro. Ouço um barulho. Vejo pela janela um ônibus; amarelado com listras azuis, escrito “Solity” entre o listrado. A curiosidade me move; arrumo-me tão rápido quanto posso; saio depressa, era visível meu afobamento. A porta abriu... Subi.
Tantos anos se passaram; pessoas conheci, cruzei meu destino com várias, algumas não passaram de semanas, outras tive a sorte de passar anos. Muitas das quais, não havia sentido algum estarem ali, justificativas triviais me deram, indaguei se havia verdade nas palavras ditas, mas porque haveriam de mentir?
Agradeço por enfim, ter terminado essa busca, demorei, de fato e como demorei. Digo alegremente, que dentro do Solity, eu chorei, amei, sorri e sofri; para apenas, compreender algo que eu já sabia, há tanto tempo. Infelizmente; à felicidade não pode ser buscada.

sábado, fevereiro 05, 2011

Minha amada, Martha Méier.

Terceiro andar, sala escura, o ambiente perfeito para uma história de amor, a minha história de amor, pra ser mais exato. Pois nem sempre amores são perfeitos. O amor também pode ser espinho e escuridão.

Na sala lá estava ela, Martha Méier, jamais imaginei poder amar alguém como amo aquela mulher. No auge dos seus 32 anos, ela era linda, exuberante e mantinha uma altivez e elegância raras. Sentada naquele velho sofá, vestia uma camisa minha, que por sinal ficava muito melhor naquele belo ser. Martha estava em seu ritual predileto, cigarro na boca, um copo de whisky em uma das mãos. Ela me fitava, aqueles olhos enigmáticos e sua voz rouca a tornavam ainda mais sensual. Cantarolava a sua música favorita: “L’amour, hum hum, pas pour moi.”.

Como sempre fazia, colocava o copo ao seu lado, vindo em minha direção. Seus olhos me hipnotizavam e eu sempre me rendia em seus braços, ela sorria.

- Sempre tão fácil. – cochichava em meu ouvido.

- Não há como ser difícil com você, meu amor. – eu respondia.

Martha então me beijava tão ardentemente que por vezes faltava-me o fôlego. Eu a amava, cada momento com ela era único e inesquecível. Eu acariciava o seu corpo que parecia esculpido por deuses. Sua pele era suave como a seda. Ela me proporcionava noites de prazer inimagináveis. Então, dormíamos abraçados. Na manhã seguinte, ainda deitado comecei a admirá-la. Ela acordou.

- Você é o melhor presente. Eu te amo como nunca foi possível alguém amar. Cada centímetro de teu corpo é como uma jóia para mim. Eu te amo, Martha. – declarei todo o meu amor.

Ela sorriu.

- E você sabe que eu não te amo... Onde você deixou o meu dinheiro? – ela perguntou como sempre fez.

- Por que você não me ama? – perguntei-lhe aflito.

- Porque esqueceram de colocar todas as funções de meu coração. Ele apenas me mantém viva. Porque amor, ele não sente. E onde você deixou o meu dinheiro?

- Está na cabeceira, pode pegar. Quando você vem agora?

- Você sabe o meu número, é só chamar que eu venho. Agora eu tenho que ir. Tenho muitos clientes hoje. – ela era metódica.

- Você sabe que pode largar essa profissão e vir morar comigo. – eu suplicava.

- Eu só venho lhe ver porque você me paga bem. Eu não vou lagar a minha profissão. E agora eu já vou. Beijo.

E ela ia embora, deixando-me de lado. Trocando-me por outros homens que assim como eu pagavam para tê-la. Mas eu sou o único que a ama de verdade. E um dia ela perceberá isso.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

55 anos

Depois de tanto tempo sem postar nada. Estou de volta o/
Conto de minha autoria...

55 anos

Ela tinha 55 anos, apesar da muita idade, aquilo de algum modo me atraiu; o seu jeito de andar, seu jeito de falar, seu belo sorriso. Nossos encontros aconteciam três vezes por semana, naquele velho barzinho próximo a sua casa, o único que me deixavam beber, quem nos visse pensaria que éramos mãe e filho, mas eu sabia que a última coisa que ela poderia ser, seria minha mãe.
Meu amigos me diziam que eu havia ganhado na loteria, por ter pego uma “coroa daquelas”, como eles diziam. Eu queria que as coisas fossem tão simples assim, ela era experiente. Passei muitas noites pensando no que ela havia visto em mim, era comum ela me perguntar por que eu estava enrubescido. Nessas horas me vinha uma espécie de raiva, parecia tão tolo, tão crianção próximo dela. Mas o que eu poderia, fazer? Só tinha 16 anos. Meus amigos admiravam estupefatos as roupas que ela me presenteava, os cordões, bonés, os lugares que ela me proporcionava.
Será que eu estava apenas visando o seu dinheiro, a oportunidade de sexo e tudo mais, como meus amigos me diziam? Ou havia algum sentimento nisso tudo? O receio era grande de parecer mais tolo do que eu já era, imaginava-me declarando para ela e ela me rindo histérica e me dizendo: “Garoto tolo, você só é um brinquedo para mim.”
Eu deveria ter procurado alguém da minha idade, seria tão mais simples e mais fácil, teria-me auto poupado de todo esse sofrimento que agora eu passo. Apaixonei-me por aquela mulher, o seu carinho, as suas histórias, suas risadas e até seus “OH MY GOD”.
Ela simplesmente desapareceu da minha vida, em um dia qualquer, sem dar explicações, nem nada. Acabei descobrindo que a casa na qual passávamos os melhores momentos, era apenas alugada e o dono dela, simplesmente não sabia nada sobre o paradeiro dela. Começou então minha obsessão, passava por lá todos os dias, tentando encontrar algum sinal de vida, alguma pista de onde ela teria ido. Eu já não ligava mais para escola, passava horas em frente da nossa antiga casa, cheguei até a pagar, para entrar lá só mais uma vez e relembrar os bons momentos que passamos juntos. A cada dia que se passava vinha a certeza que eu havia sido apenas um brinquedo para ela, nem mais, nem menos. Desse amor todo, só restou os presentes que ela me dera, algumas fotos escondidas debaixo do colchão e noites de lágrimas.

Epílogo

Cinco meses depois, acabo passando por ironia do destino, naquele venho barzinho no qual bebíamos e nos animávamos. Ao entrar olho para a mesa na qual sempre sentávamos. Meus olhos se embaçaram, não parecia ser real, lá estava ela sentada, mais linda do que nunca, corro em sua direção, mas ao me aproximar vejo que ela estava com alguém e esse alguém não era eu.


sábado, outubro 30, 2010

Presságio de uma morte


Mais um dia normal na escola, ou talvez não. Os alunos começavam a chegar e ao verem uma multidão ao redor de algo, ficavam curiosos e iam até lá ver do que se tratava. Ao chegarem o seu choque era evidente, eles não falavam nada. Estavam assustados, atordoados e com o estomago embrulhado com aquela cena. Ninguém sabia o que fazer diante daquilo. Até que eu, enfim, cedi a minha curiosidade e fui ver do que se tratava. Ao chegar ao local, fiquei atordoada como todos que estavam lá. Eu vi o desespero nos olhos daquele menino caído no chão sobre uma garota. Ela estava ensanguentada, ele com a arma do crime em mãos, uma faca. Mas ele não demonstrava sentir ódio daquela menina que havia assassinado, ele chorava arrependido do que tinha feito.

Passado esse momento de choque, todos os alunos começaram a realmente entender o que tinha acontecido ali. E sentiram medo daquele menino, todos recuavam apressadamente, menos eu. Eu sabia o que havia acontecido, aquele menino havia matado uma garota, mas eu não tinha medo dele. Eu sentia compaixão. À medida que os outros alunos se distanciavam do local, eu me sentia mais presa aquele garoto. Então me aproximei dele, sem medo, sem raiva. E ele me abraçou, nenhuma palavra foi dita, ele me apertava junto ao seu corpo. E pela primeira vez aquele menino chorou. Eu sabia que nada mudaria aquela situação, então tentei confortá-lo ao máximo. E no silêncio daquele momento notei olhares curiosos, acusadores e até mesmo assustados com a possibilidade daquele menino tentar algo contra mim.

Algum tempo depois, eu estava de frente à menina morta e seu assassino. A policia chegou e o chamou para que os acompanhasse, eu vi o medo nos olhos daquele menino. Então, resolvi acompanhá-lo.

Ao chegarmos à delegacia, a tensão daquele menino só aumentava. Os policiais o olhavam com desprezo e consequentemente me encaravam por eu estar ali, ao lado de um assassino. Então, pela primeira vez ele falou comigo.

- Por que você veio? Eu matei uma menina e você ainda vem comigo pra delegacia?

- Eu não sei porque vim, simplesmente achei que era o certo a fazer. – respondi da forma mais sincera.

- Não, não era o certo. Você viu, eu sou um assassino. Embora não lembre, eu matei aquela menina. - ele parecia agitado.

- Como assim não se lembra? Você a matou, certo? – eu estava confusa.

- Acho que sim, não sei. Quando eu vi já estava com uma faca ensanguentada nas mãos .

- Eu não consigo entender. Como você não sabe que a matou? – eu o questionei.

- Eu já disse que não sei, tem algo errado comigo. E você não deveria estar aqui. É melhor você ir embora, enquanto é tempo.

- Eu não vou embora. Eu quero te ajudar. Eu senti isso desde que o vi sobre o corpo daquela garota.

- Vocês nunca aprendem não é? Aquela garota também quis me ajudar. E veja o que lhe aconteceu. – ele havia mudado repentinamente, agora estava diabólico.

- O que você disse? Você se lembra do que fez? – eu estava apavorada.

- Como eu iria esquecer? Uma menina tão linda e tão boba. Bem parecida com você.

- Mas... você me disse que não lembrava de nada. Por que agora me diz isso?

- Ora, ora, ora. Você que escolheu por isso. Você não quer me ajudar?

- Não, agora eu quero ir embora. Você está louco.

Eu me levantei para ir embora, mas ele foi mais rápido e segurou-me, tapando a minha boca para que ninguém ouvisse meus gritos. Mas ninguém apareceria, eu sabia disso. Eu estava em pânico. E ele sorria de prazer.

- Você deveria ser mais esperta. Pena que não terá oportunidade para mudar. Você sabe o que farei agora? - ele sentia prazer com o meu sofrimento.

Eu estava assustada. Ele me apertava com mais força. Dizia-me algumas coisas sem sentido. Palavras que eu não entendia, como se fossem outra língua. Ele estava eufórico, louco, diabólico.

- Você irá sentir muita dor no começo. Mas logo passará e depois você não sentirá mais nada. Você irá fazer companhia a todas as outras garotas que assim como você, tentaram me ajudar. Ninguém pode me ajudar, nem me deter. Eu sempre irei vagar pela Terra, derramando o sangue das mais belas criaturas e arrancando seus corações bondosos. E nada me alegra mais do que isso. Dorme bem, bobinha.

Ele apertou a faca contra o meu peito e vagarosamente cravou-a em mim. Eu urrei de dor, mas de alguma forma ninguém me ouviria. Ele me esfaqueou de várias formas, até que não senti mais nada. E tudo se tornou escuridão.

Eu sentia alguém me puxar, mas eu não conseguia ver quem era. Estava com medo que fosse aquele garoto. Mas essa mão me puxava com mais força. Sacudia-me. E quando eu consegui abrir os olhos, percebi que tudo aquilo havia sido um sonho. Minha mãe estava tentando me acordar, eu estava atrasada para a escola. Troquei de roupa e fui direto para o colégio. Ao chegar vi uma aglomeração de alunos ao redor de algo, fiquei curiosa e um pouco receosa. Resolvi ver do que se tratava, e ao chegar ao local. Meu pavor era evidente. No chão, estava um menino com uma faca em mãos e um corpo ensanguentado ao seu lado. O menino me encarava. Eu gritei de pavor e sai imediatamente daquele lugar.

Texto: Mairana M.


quarta-feira, outubro 20, 2010

Conto inacabado

Chovia. Havia dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranqüilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?

Direcionamos-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.



P.S : A partir daí, ninguém sabe o que aconteceu, principalmente a autora do conto.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quinta-feira, setembro 09, 2010

29 de Fevereiro

E aqui vai a última parte do conto, espero que gostem.

Miller já estava enrubescida de raiva, respirou fundo, tentando acalmar toda aquela raiva. Quem era aquele garoto, que nunca vira antes na vida? Cidade pequena; era difícil ter gente nova por ali, mas bem que não era possível; como ele sabia que ela estava solteira a tanto tempo? Mas Agatha sabia que o último relacionamento, não tinha sido culpa dela, ela ao menos achava isso, afinal de contas, será que ela poderia ter culpa dele a ter traído? Balançou com força a cabeça, tentando se livrar dessa idéias.

- Você está bem? – perguntou Brian, quase que querendo abraçá-la.
- Estou, estou.

Pouco a pouco, o movimento na rua crescia, pessoas, carros, motos e bicicletas vinham e iam. Lá estavam indo os dois, andando a esmo, um ao lado do outro, volta e meia discutindo ou rindo. Parecia que Brian já a conhecia há tanto tempo, parecia até que ele sabia mais sobre ela, do que ela mesma.
As horas se passavam, conversas iam e vinham. Já não havia mais ruas para andar, os pés dos dois já doíam, as barrigas roncavam e os corpos imploravam por descanso. Nenhum dos dois queria que a mágica daquele momento, acabasse, por eles, poderiam ficar andando até a eternidade, mas a realidade é sempre mesma, aquela de sempre. Miller não sabia nem ao menos onde esse rapaz morava, de onde tinha vindo, nem a idade ele quis dizer. Ela no começo não se importou com isso, mas aos poucos começava a necessidade e a curiosidade de saber desses pequenos fatos. Preferiu não tocar outra vez no assunto. Ele a deixou em sua casa e despediu, marcaram-se de se verem a noite, em uma praça próxima do centro da cidade.
Quando chegou sua mãe já estava praticamente desesperada, já havia pensado até em ligar para policia, afinal de contas, a sua filha havia saído às 8 horas da manhã. Agatha mal ouviu as reclamações e sermões da mãe, simplesmente subiu para o quarto, pensando, pensando nessas horas que tinha acabado de viver, havia tanta beleza e mistério naquele garoto.
Começou as suas dúvidas, se perguntou se o seu nome era aquele mesmo, se ele era mesmo tudo aquilo que tinha falado. Olhava para o relógio a cada estante, a hora não se passava e as dúvidas só cresciam e cresciam. Ouviu os gritos da mãe chamando-a para jantar, comeu o tão lento quanto pode, tentando assim de algum modo passar o seu tempo. Não havia muito que se fazer naquela cidade. Decidiu não ficar em casa, visitou uns amigos, comprou umas coisas no supermercado e logo após tentou dormir, sono que só demorou a chegar.
Agatha olhou para os dois lados e viu que já era noite, banhou-se, comeu e saiu, cantarolando pelas ruas, ao encontro do seu amado. Ele já estava lá na praça a esperando, com uma linda rosa branca, ela o viu e correu, ele levantou e abriu os braços de encontro a ela, foi um abraço demorado, sincero, carinhoso. Ela já amava o sorriso dele, já amava o modo que ele falava com ela, já amava seu jeito de ser, seu jeito de pensar, os poemas que recitara para ela. Passaram a noite naquela praça, não tão cheia, nem tão vazia. Conversando, beijando, namoricando.
As horas se passaram rapidamente; aqueles que passavam, ficavam surpresos por Miller ter arranjado um namorado, uma menina tão fechada, que só espantava os rapazes, agora estava com um aos amassos, muitos ficaram até sem entender, olhavam até sem nenhuma sutileza só para ter a certeza que era ela mesma.
E chegou a hora do conto de fada acabar, Agatha percebeu que Brian estava chorando.

- O que foi Brian?
- Me desculpe, não sou nada disso que você pensava. Na verdade, amanhã nem estarei aqui mais! Não sou daqui, me desculpe.
- Mas Brian, não se importe com a distancia, damos um jeito.
- Entenda, não há como dá um jeito nessa distância. Ela é maior do que você imagina.
- Como assim Brian? Não estou ti entendendo.
- Me desculpe, já está tarde demais.
- Calma! Explique-me, por favor!
Os olhos de Agatha começaram a lacrimejar ao dizer isso, ela estava confusa, sentindo já um vazio, antes mesmo de Brian ir.
- Você jamais entenderá, nem eu mesmo entendo o porque disso. Daqui a 4 anos estarei aqui outra vez...
- Daqui a 4 anos? Por que?
- Não sei explicar o certo, minha vida é assim, só estou aqui no dia do meu aniversário. Desculpe-me. Adeus.


E assim ele se foi, correndo na escuridão das ruas. Agatha não olhou em nenhum momento para que lado ele foi, enxugou as lágrimas do rosto e voltou, voltou para sua casa, voltou para seu lar, para sonhar outra vez, com seu príncipe encantado.

Comentem ae ;)

segunda-feira, setembro 06, 2010

Medo e Obsessão

Fui no embalo de Linderson e resolvi fazer um conto e postar aqui, espero que gostem ;D


Medo e Obsessão

Eu sempre soube que ele me observava, ele não fazia a mínima questão de se esconder ou ser discreto, eu o via na janela de sua casa olhando para mim ou na sala de aula me encarando. Ele era um garoto estranho, que eu evitava falar, fingia que não o via e achava que isso seria o melhor para mim. Ou não. Pois mesmo eu não o olhando e tentando evitá-lo ao máximo, ele sempre estava olhando para mim. E não sabia ao menos disfarçar tal obsessão. Isso me deixava assustada. Eu tinha pânico só em imaginar voltar sozinha para casa, com aquele garoto me perseguindo, a minha sorte era Caren, uma menina do colégio. Ela morava perto da minha casa e sempre vinha comigo. Mas ela morava um pouco antes e eu tinha que andar sozinha até chegar a minha casa. Era com certeza a coisa mais aterrorizante e eu passava por essa tensão todo dia. Aterrorizante porque eu percebia os olhos daquele garoto sobre mim, e eram olhos furiosos. Dan era o seu nome, e só de falar já fico arrepiada, pois me lembro do pior dia da minha vida. O dia em que ele resolveu que eu seria sua.

Antes que eu esqueça, o meu nome era Elizabeth. E eu estava longe de ser a garota linda e popular do colégio. Mas tinha amigos, tirava boas notas e era feliz com a vida que eu tinha. Até o dia em que o Dan, fez algo que mudou tudo.

Eu não entendia a obsessão dele por mim, eu não era muito atraente e não posso dizer que tinha muitos pretendentes, pois não tinha.

Estava tudo normal, até que um dia eu recebi uma notícia da Caren, que me deixou muito abalada, ela iria morar em outra cidade. As palavras dela gritavam em minha cabeça; ‘Elizabeth, eu vou me mudar’. As palavras que mudaram completamente a minha vida. Um mês depois, Caren foi embora e eu fiquei em estado de pânico, eu teria que voltar sozinha a partir daquele dia, quer dizer, quase sozinha, pois ele sempre estava comigo.

O tempo passou muito rápido e logo chegou o dia em que eu teria que voltar sozinha para minha casa. Sem a Caren, eu estava paranóica, passei todo o tempo que estava na escola, olhando para os lados, procurando o Dan, sempre que o achava ele estava me olhando. E isso me deixava ainda mais apreensiva, não consegui aprender nada naquele dia, estava totalmente fora de mim. E tudo piorou ainda mais, quando na hora do intervalo ele se aproximou de mim e pela primeira vez, falou comigo:

- Oi, Elizabeth. Posso me sentar ao seu lado? – ele me olhava de um jeito tão assustador que fiquei com medo de recusar.

- Oi. Pode sim. – eu estava trêmula, mãos geladas e pedindo socorro por dentro.

Ele sentou-se ao meu lado e ficou me encarando por um longo tempo, sem nada dizer. Ele definitivamente me assustava, eu estava paralisada ao seu lado. Não agüentando mais decidi sair dali. E para não ser totalmente grosseira lhe disse:

- Dan, eu vou para a minha sala. Até mais. – no mesmo momento me arrependi desse ‘até mais’. Era muito melhor eu apenas ter dito “até nunca mais”. Essa era a minha vontade.

- Ah, ta certo. Eu vou junto com você então. A gente é da mesma sala mesmo né? – ao falar isso, ele pegou a minha mão, beijou-a e depois ficou segurando-a. Eu estava a ponto de sair correndo e gritando daquele lugar. Mas apenas consegui dizer.

- É.

Segui todo o caminho até a sala em silêncio, com ele ao meu lado, como sempre me olhando. Ele não percebia o quanto isso me deixava assustada, ou talvez percebesse e não se importasse com isso. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, eu acho que tudo o que ele queria era realmente me assustar. Ao entrar na sala, fui direto ao meu lugar e me sentei sem notar a presença daquele garoto, ainda ao meu lado e me olhando como nunca. Dei um sorriso meio sem graça e tentei fazer outra coisa, abri meu caderno e comecei a rabiscar. Não adiantou muito, pois ele continuava ao meu lado, me olhando. Então, mais uma vez ele falou comigo:

- Eu notei que você está indo sozinha para sua casa. Deve ser chato não ter com quem conversar... – rezei para ele não se oferecer a vir comigo, e antes que ele terminasse de falar, fui logo dizendo.

- Não, eu gosto mais de andar sozinha. Eu tenho mais tempo para pensar. – disse isso com a voz um pouco desesperada. E ele notou isso.

- Mas, você poderia vir comigo, eu sempre saio na mesma hora que você e como moramos perto um do outro, eu pensei que talvez... – o interrompi novamente.

- Não é necessário, eu gosto de andar sozinha. E além do mais, eu seria uma chata todo o caminho. Você iria enjoar de mim.

Ele ficou calado por um momento e para meu alívio, o professor entrou na sala e mandou que todos se sentassem em seus lugares. Ele foi para seu lugar e eu não fui nem um pouco discreta em mostrar meu alívio sobre aquela situação.

Chegou a hora de ir embora. Voltei a ficar aterrorizada com a idéia de voltar para casa com ele. Peguei as minhas coisas e sai correndo da escola. Fui por um caminho diferente e mesmo assim percebi que alguém estava me seguindo. Olhei para trás e o vi. Andei ainda mais rápido para ele não conseguir me alcançar, esforço que logo percebi ser em vão. Ele parecia gostar daquele meu desespero, sua expressão não negava isso. Ele tinha um rosto de quem estava animado e eu de quem estava morrendo de medo. Ao ver a minha casa, comecei a correr ainda mais e quando cheguei, abri a porta e cai no chão, exausta. Depois desse dia, ele parou de falar comigo na escola, mas não parou de me olhar, pelo contrário, seus olhares me assustavam ainda mais. Eu ainda o via pela janela do meu quarto, parado, me encarando.

Passaram-se vários dias, até que chegou a semana do meu aniversário. Como era de se esperar, ganhei poucos presentes e apenas algumas pessoas na escola lembraram-se da data. Nesse dia para o meu espanto, Dan não apareceu na escola. Isso me deixou aliviada e ao mesmo tempo apreensiva. Eu sentia que isso não era um bom sinal. Ao terminarem as aulas, voltei para casa como de costume, sempre olhando para os lados, com medo de Dan estar me seguindo. Para minha felicidade, ele não estava em parte alguma. Felicidade esta que não durou por muito tempo, pois um pouco antes de chegar na minha casa, eu o vi. Ele tinha um sorriso diabólico em seu rosto e quando percebeu que eu ia correr dele, veio ao meu encontro. Eu fiquei sem ação. E ele falou:

- Oi, Elizabeth. Sei que hoje é o seu aniversário. Não fui à escola porque estava preparando uma surpresa para você. – ele parecia estar apreensivo ao falar isso, pois não parava de olhar para os lados. E isso me deixava muito mais assustada. Então eu disse:

- Ah, não precisava de nenhuma surpresa, eu estou um pouco apressada para chegar em casa, depois a gente se vê.

Nesse momento, foi como se ele virasse outra pessoa, me segurou pelo braço e praticamente gritou comigo:

- Você tem que vir comigo agora, eu fiz uma surpresa e você tem que vir.

Eu estava em estado de choque, ele me segurou com mais força e foi me puxando até o quintal de sua casa. Era um lugar imundo, cheio de coisas velhas, mal dava para ver a minha casa agora. Eu tentava gritar e fugir dali, mas ele tapou a minha boca, como se já imaginasse que eu faria isso. Quando chegamos em frente a uma arvore, ele me soltou e ficou olhando para mim, do mesmo jeito de antes, com olhos assustadores. Eu pensei em correr, sair dali, mas eu estava tão assustada que não conseguia sequer sair do canto. Ele então pegou um objeto que estava perto a uma árvore e me entregou. De inicio eu não entendi do que se tratava, mas logo vi que era um porta retrato, nele tinha uma montagem de fotos minhas que ele tirou enquanto eu não estava vendo, eu fiquei apavorada ao ver que tinha fotos até em momentos íntimos, como ele poderia ter tirado essas fotos? Eu o olhei e perguntei:

- Onde? ... Como? ... Como você tirou essas fotos? ... Você é... – eu estava sem palavras, diante essa situação. Ele me olhou com sarcasmo e disse:

- Eu não ficava só te olhando na escola ou pela janela do meu quarto. Eu te segui e te admirei em todos os momentos do seu dia. Até quando você dormia. E você nunca me notou.

Eu estava sem palavras diante disso, lágrimas se formaram em meu rosto. Então, eu joguei o porta retrato no chão, que ao cair quebrou-se em pedaços. Isso o deixou furioso, eu via isso em seus olhos. Então comecei a correr desesperada, mal dava pra ver o caminho, meus olhos cheios de lágrimas impediam que eu visse tudo com clareza. Quando eu senti as mãos dele me segurando mais uma vez, ele me pegou e me puxou. Eu tentava lutar contra ele, me soltar daquele menino estranho e maluco. Mas ele estava fora de si e não me soltava. Ele então gritou:

- Você será minha, por bem ou por mal. E não adianta tentar fugir. Você é minha.

E isso foi a última coisa que eu ouvi, enquanto viva. Eu não lembro o que aconteceu, mas momentos depois eu me vi caída nos braços daquele menino. Eu não estava lá, eu estava fora dali, vendo tudo de longe, como se aquele corpo caído não fosse meu. Só depois eu entendi que eu havia morrido. Eu só consegui ver aquele menino chorando sobre meu corpo e depois mais nada. Passei muito tempo sem ver nada, apenas o branco, até chegar onde estou hoje. Meu novo lar, acho que chamam de paraíso. Sim, deve ser o paraíso, aqui é lindo. E eu sou feliz aqui.



Texto : Mairana M.

29 de Fevereiro

Aí vai a primeira parte de um conto da minha autoria, aceitando sugestões e críticas.

Era dia 29 de Fevereiro e lá estava ela andando, por ruas que nunca tinha andado, conhecendo a sua cidade; camisa regata e short curto; era assim que saía para seus passeios semanais, aventurando-se pela cidade, em que nascera, vivera e que descobrira que não conhecia praticamente nada dela. Andava como qualquer uma pelas ruas, sem chamar a atenção de ninguém e se chamasse , era de um ou dois garotos, que simplesmente assobiavam ou a olhavam, com olhos de cachorros famintos. Ela simplesmente os olhava com desdém e seguia seu caminho. Um rapaz bonito, de aparentemente 20 anos, começou a acompanhá-la, Agatha ficou receosa, nunca aconteceu de um rapaz acompanhá-la.

- Oi. Eu sei o que você está pensando, não vou fazer mal nenhum a ti não.
- Como?
- Ah, fala sério, eu sei que você estava com medo de mim.
- Não, não. Só não é normal, um garoto me seguir assim.
- Garoto? E quem disse que eu estou ti seguindo?
- Desculpe-me então, pelo menos é o que parece.
- Sinto muito, mas a rua é pública, eu não tenho culpa se você é paranóica.

Agatha corou ao termino da frase, parecia que iria explodir. Afinal de contas, quem era aquele garoto, para desaforá-la daquele modo? Esse pensamento ia e vinha. Os passos dela aceleraram e logo depois vieram os deles, quem reparasse, poderia até dizer que estavam disputando uma espécie de “corrida”.

- Está correndo de mim linda?
- Claro que não, só está ficando tarde.
- Sei. Ainda é dia e já está ficando tarde?
- Você não tem mais o que fazer não?
-Se eu tivesse, não estaria aqui, esperando você me dizer seu nome.
- Agatha Miller. Tá feliz?
- Ainda não. Estou muito longe disso. Prazer, sou Brian Connoly.
- Prazer.
- Para onde estamos indo?
- Estamos?
- Claro! Formamos um belo casal, não acha?
- Belo casal? Com você no meio? Está sonhando?!
- Se eu tiver sonhando, eu nem quero acordar então.
- A tá! Usa essas cantadas baratas com todas?
- Baratas? Me diz aí, quantos já ti cantaram assim!

Agatha ficou sem voz, sem saber ao certo o que responder mentir ou ser sincera? Escolheu a de sempre.

- Já foram tantos, perdi até a conta.
- A ta! Estou precisando atualizar minhas cantadas então. Mas, para cantadas “baratas”, ti deixei até sem voz.
- Me deixa em paz cara!
- Está bem, está bem gata. Desculpe-me. – disse Brian em um puro tom de sarcasmo. – Eu só achei que uma moça, tão linda assim, não deveria ficar andando, tão solitária, pelos lugares.
- Se eu estou “solitária” ou não, não lhe interessa.
- Por isso está solteira a tanto tempo. Tão ignorante assim!
- E quem é você pra me chamar de ignorante?

Depois posto outra parte dele. Espero que tenham gostado :D