quinta-feira, julho 12, 2012
Uma história de amor ou algo do tipo
domingo, julho 31, 2011
38° graus
domingo, julho 24, 2011
Papai
quinta-feira, julho 21, 2011
Sada
quarta-feira, julho 20, 2011
Nekrós
domingo, julho 17, 2011
14 de Maio de 1998
quarta-feira, julho 13, 2011
Solity
sábado, fevereiro 05, 2011
Minha amada, Martha Méier.
Terceiro andar, sala escura, o ambiente perfeito para uma história de amor, a minha história de amor, pra ser mais exato. Pois nem sempre amores são perfeitos. O amor também pode ser espinho e escuridão.
Na sala lá estava ela, Martha Méier, jamais imaginei poder amar alguém como amo aquela mulher. No auge dos seus 32 anos, ela era linda, exuberante e mantinha uma altivez e elegância raras. Sentada naquele velho sofá, vestia uma camisa minha, que por sinal ficava muito melhor naquele belo ser. Martha estava em seu ritual predileto, cigarro na boca, um copo de whisky em uma das mãos. Ela me fitava, aqueles olhos enigmáticos e sua voz rouca a tornavam ainda mais sensual. Cantarolava a sua música favorita: “L’amour, hum hum, pas pour moi.”.
Como sempre fazia, colocava o copo ao seu lado, vindo em minha direção. Seus olhos me hipnotizavam e eu sempre me rendia em seus braços, ela sorria.
- Sempre tão fácil. – cochichava em meu ouvido.
- Não há como ser difícil com você, meu amor. – eu respondia.
Martha então me beijava tão ardentemente que por vezes faltava-me o fôlego. Eu a amava, cada momento com ela era único e inesquecível. Eu acariciava o seu corpo que parecia esculpido por deuses. Sua pele era suave como a seda. Ela me proporcionava noites de prazer inimagináveis. Então, dormíamos abraçados. Na manhã seguinte, ainda deitado comecei a admirá-la. Ela acordou.
- Você é o melhor presente. Eu te amo como nunca foi possível alguém amar. Cada centímetro de teu corpo é como uma jóia para mim. Eu te amo, Martha. – declarei todo o meu amor.
Ela sorriu.
- E você sabe que eu não te amo... Onde você deixou o meu dinheiro? – ela perguntou como sempre fez.
- Por que você não me ama? – perguntei-lhe aflito.
- Porque esqueceram de colocar todas as funções de meu coração. Ele apenas me mantém viva. Porque amor, ele não sente. E onde você deixou o meu dinheiro?
- Está na cabeceira, pode pegar. Quando você vem agora?
- Você sabe o meu número, é só chamar que eu venho. Agora eu tenho que ir. Tenho muitos clientes hoje. – ela era metódica.
- Você sabe que pode largar essa profissão e vir morar comigo. – eu suplicava.
- Eu só venho lhe ver porque você me paga bem. Eu não vou lagar a minha profissão. E agora eu já vou. Beijo.
E ela ia embora, deixando-me de lado. Trocando-me por outros homens que assim como eu pagavam para tê-la. Mas eu sou o único que a ama de verdade. E um dia ela perceberá isso.
terça-feira, fevereiro 01, 2011
55 anos
Conto de minha autoria...
sábado, outubro 30, 2010
Presságio de uma morte

Mais um dia normal na escola, ou talvez não. Os alunos começavam a chegar e ao verem uma multidão ao redor de algo, ficavam curiosos e iam até lá ver do que se tratava. Ao chegarem o seu choque era evidente, eles não falavam nada. Estavam assustados, atordoados e com o estomago embrulhado com aquela cena. Ninguém sabia o que fazer diante daquilo. Até que eu, enfim, cedi a minha curiosidade e fui ver do que se tratava. Ao chegar ao local, fiquei atordoada como todos que estavam lá. Eu vi o desespero nos olhos daquele menino caído no chão sobre uma garota. Ela estava ensanguentada, ele com a arma do crime em mãos, uma faca. Mas ele não demonstrava sentir ódio daquela menina que havia assassinado, ele chorava arrependido do que tinha feito.
Passado esse momento de choque, todos os alunos começaram a realmente entender o que tinha acontecido ali. E sentiram medo daquele menino, todos recuavam apressadamente, menos eu. Eu sabia o que havia acontecido, aquele menino havia matado uma garota, mas eu não tinha medo dele. Eu sentia compaixão. À medida que os outros alunos se distanciavam do local, eu me sentia mais presa aquele garoto. Então me aproximei dele, sem medo, sem raiva. E ele me abraçou, nenhuma palavra foi dita, ele me apertava junto ao seu corpo. E pela primeira vez aquele menino chorou. Eu sabia que nada mudaria aquela situação, então tentei confortá-lo ao máximo. E no silêncio daquele momento notei olhares curiosos, acusadores e até mesmo assustados com a possibilidade daquele menino tentar algo contra mim.
Algum tempo depois, eu estava de frente à menina morta e seu assassino. A policia chegou e o chamou para que os acompanhasse, eu vi o medo nos olhos daquele menino. Então, resolvi acompanhá-lo.
Ao chegarmos à delegacia, a tensão daquele menino só aumentava. Os policiais o olhavam com desprezo e consequentemente me encaravam por eu estar ali, ao lado de um assassino. Então, pela primeira vez ele falou comigo.
- Por que você veio? Eu matei uma menina e você ainda vem comigo pra delegacia?
- Eu não sei porque vim, simplesmente achei que era o certo a fazer. – respondi da forma mais sincera.
- Não, não era o certo. Você viu, eu sou um assassino. Embora não lembre, eu matei aquela menina. - ele parecia agitado.
- Como assim não se lembra? Você a matou, certo? – eu estava confusa.
- Acho que sim, não sei. Quando eu vi já estava com uma faca ensanguentada nas mãos .
- Eu não consigo entender. Como você não sabe que a matou? – eu o questionei.
- Eu já disse que não sei, tem algo errado comigo. E você não deveria estar aqui. É melhor você ir embora, enquanto é tempo.
- Eu não vou embora. Eu quero te ajudar. Eu senti isso desde que o vi sobre o corpo daquela garota.
- Vocês nunca aprendem não é? Aquela garota também quis me ajudar. E veja o que lhe aconteceu. – ele havia mudado repentinamente, agora estava diabólico.
- O que você disse? Você se lembra do que fez? – eu estava apavorada.
- Como eu iria esquecer? Uma menina tão linda e tão boba. Bem parecida com você.
- Mas... você me disse que não lembrava de nada. Por que agora me diz isso?
- Ora, ora, ora. Você que escolheu por isso. Você não quer me ajudar?
- Não, agora eu quero ir embora. Você está louco.
Eu me levantei para ir embora, mas ele foi mais rápido e segurou-me, tapando a minha boca para que ninguém ouvisse meus gritos. Mas ninguém apareceria, eu sabia disso. Eu estava em pânico. E ele sorria de prazer.
- Você deveria ser mais esperta. Pena que não terá oportunidade para mudar. Você sabe o que farei agora? - ele sentia prazer com o meu sofrimento.
Eu estava assustada. Ele me apertava com mais força. Dizia-me algumas coisas sem sentido. Palavras que eu não entendia, como se fossem outra língua. Ele estava eufórico, louco, diabólico.
- Você irá sentir muita dor no começo. Mas logo passará e depois você não sentirá mais nada. Você irá fazer companhia a todas as outras garotas que assim como você, tentaram me ajudar. Ninguém pode me ajudar, nem me deter. Eu sempre irei vagar pela Terra, derramando o sangue das mais belas criaturas e arrancando seus corações bondosos. E nada me alegra mais do que isso. Dorme bem, bobinha.
Ele apertou a faca contra o meu peito e vagarosamente cravou-a em mim. Eu urrei de dor, mas de alguma forma ninguém me ouviria. Ele me esfaqueou de várias formas, até que não senti mais nada. E tudo se tornou escuridão.
Eu sentia alguém me puxar, mas eu não conseguia ver quem era. Estava com medo que fosse aquele garoto. Mas essa mão me puxava com mais força. Sacudia-me. E quando eu consegui abrir os olhos, percebi que tudo aquilo havia sido um sonho. Minha mãe estava tentando me acordar, eu estava atrasada para a escola. Troquei de roupa e fui direto para o colégio. Ao chegar vi uma aglomeração de alunos ao redor de algo, fiquei curiosa e um pouco receosa. Resolvi ver do que se tratava, e ao chegar ao local. Meu pavor era evidente. No chão, estava um menino com uma faca em mãos e um corpo ensanguentado ao seu lado. O menino me encarava. Eu gritei de pavor e sai imediatamente daquele lugar.
Texto: Mairana M.
quarta-feira, outubro 20, 2010
Conto inacabado
Chovia. Havia dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranqüilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?
Direcionamos-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.
P.S : A partir daí, ninguém sabe o que aconteceu, principalmente a autora do conto.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
quinta-feira, setembro 09, 2010
29 de Fevereiro
Miller já estava enrubescida de raiva, respirou fundo, tentando acalmar toda aquela raiva. Quem era aquele garoto, que nunca vira antes na vida? Cidade pequena; era difícil ter gente nova por ali, mas bem que não era possível; como ele sabia que ela estava solteira a tanto tempo? Mas Agatha sabia que o último relacionamento, não tinha sido culpa dela, ela ao menos achava isso, afinal de contas, será que ela poderia ter culpa dele a ter traído? Balançou com força a cabeça, tentando se livrar dessa idéias.
- Você está bem? – perguntou Brian, quase que querendo abraçá-la.
- Estou, estou.
Pouco a pouco, o movimento na rua crescia, pessoas, carros, motos e bicicletas vinham e iam. Lá estavam indo os dois, andando a esmo, um ao lado do outro, volta e meia discutindo ou rindo. Parecia que Brian já a conhecia há tanto tempo, parecia até que ele sabia mais sobre ela, do que ela mesma.
As horas se passavam, conversas iam e vinham. Já não havia mais ruas para andar, os pés dos dois já doíam, as barrigas roncavam e os corpos imploravam por descanso. Nenhum dos dois queria que a mágica daquele momento, acabasse, por eles, poderiam ficar andando até a eternidade, mas a realidade é sempre mesma, aquela de sempre. Miller não sabia nem ao menos onde esse rapaz morava, de onde tinha vindo, nem a idade ele quis dizer. Ela no começo não se importou com isso, mas aos poucos começava a necessidade e a curiosidade de saber desses pequenos fatos. Preferiu não tocar outra vez no assunto. Ele a deixou em sua casa e despediu, marcaram-se de se verem a noite, em uma praça próxima do centro da cidade.
Quando chegou sua mãe já estava praticamente desesperada, já havia pensado até em ligar para policia, afinal de contas, a sua filha havia saído às 8 horas da manhã. Agatha mal ouviu as reclamações e sermões da mãe, simplesmente subiu para o quarto, pensando, pensando nessas horas que tinha acabado de viver, havia tanta beleza e mistério naquele garoto.
Começou as suas dúvidas, se perguntou se o seu nome era aquele mesmo, se ele era mesmo tudo aquilo que tinha falado. Olhava para o relógio a cada estante, a hora não se passava e as dúvidas só cresciam e cresciam. Ouviu os gritos da mãe chamando-a para jantar, comeu o tão lento quanto pode, tentando assim de algum modo passar o seu tempo. Não havia muito que se fazer naquela cidade. Decidiu não ficar em casa, visitou uns amigos, comprou umas coisas no supermercado e logo após tentou dormir, sono que só demorou a chegar.
Agatha olhou para os dois lados e viu que já era noite, banhou-se, comeu e saiu, cantarolando pelas ruas, ao encontro do seu amado. Ele já estava lá na praça a esperando, com uma linda rosa branca, ela o viu e correu, ele levantou e abriu os braços de encontro a ela, foi um abraço demorado, sincero, carinhoso. Ela já amava o sorriso dele, já amava o modo que ele falava com ela, já amava seu jeito de ser, seu jeito de pensar, os poemas que recitara para ela. Passaram a noite naquela praça, não tão cheia, nem tão vazia. Conversando, beijando, namoricando.
As horas se passaram rapidamente; aqueles que passavam, ficavam surpresos por Miller ter arranjado um namorado, uma menina tão fechada, que só espantava os rapazes, agora estava com um aos amassos, muitos ficaram até sem entender, olhavam até sem nenhuma sutileza só para ter a certeza que era ela mesma.
E chegou a hora do conto de fada acabar, Agatha percebeu que Brian estava chorando.
- O que foi Brian?
- Me desculpe, não sou nada disso que você pensava. Na verdade, amanhã nem estarei aqui mais! Não sou daqui, me desculpe.
- Mas Brian, não se importe com a distancia, damos um jeito.
- Entenda, não há como dá um jeito nessa distância. Ela é maior do que você imagina.
- Como assim Brian? Não estou ti entendendo.
- Me desculpe, já está tarde demais.
- Calma! Explique-me, por favor!
Os olhos de Agatha começaram a lacrimejar ao dizer isso, ela estava confusa, sentindo já um vazio, antes mesmo de Brian ir.
- Você jamais entenderá, nem eu mesmo entendo o porque disso. Daqui a 4 anos estarei aqui outra vez...
- Daqui a 4 anos? Por que?
- Não sei explicar o certo, minha vida é assim, só estou aqui no dia do meu aniversário. Desculpe-me. Adeus.
E assim ele se foi, correndo na escuridão das ruas. Agatha não olhou em nenhum momento para que lado ele foi, enxugou as lágrimas do rosto e voltou, voltou para sua casa, voltou para seu lar, para sonhar outra vez, com seu príncipe encantado.
Comentem ae ;)
segunda-feira, setembro 06, 2010
Medo e Obsessão
Medo e Obsessão
Eu sempre soube que ele me observava, ele não fazia a mínima questão de se esconder ou ser discreto, eu o via na janela de sua casa olhando para mim ou na sala de aula me encarando. Ele era um garoto estranho, que eu evitava falar, fingia que não o via e achava que isso seria o melhor para mim. Ou não. Pois mesmo eu não o olhando e tentando evitá-lo ao máximo, ele sempre estava olhando para mim. E não sabia ao menos disfarçar tal obsessão. Isso me deixava assustada. Eu tinha pânico só em imaginar voltar sozinha para casa, com aquele garoto me perseguindo, a minha sorte era Caren, uma menina do colégio. Ela morava perto da minha casa e sempre vinha comigo. Mas ela morava um pouco antes e eu tinha que andar sozinha até chegar a minha casa. Era com certeza a coisa mais aterrorizante e eu passava por essa tensão todo dia. Aterrorizante porque eu percebia os olhos daquele garoto sobre mim, e eram olhos furiosos. Dan era o seu nome, e só de falar já fico arrepiada, pois me lembro do pior dia da minha vida. O dia em que ele resolveu que eu seria sua.
Antes que eu esqueça, o meu nome era Elizabeth. E eu estava longe de ser a garota linda e popular do colégio. Mas tinha amigos, tirava boas notas e era feliz com a vida que eu tinha. Até o dia em que o Dan, fez algo que mudou tudo.
Eu não entendia a obsessão dele por mim, eu não era muito atraente e não posso dizer que tinha muitos pretendentes, pois não tinha.
Estava tudo normal, até que um dia eu recebi uma notícia da Caren, que me deixou muito abalada, ela iria morar em outra cidade. As palavras dela gritavam em minha cabeça; ‘Elizabeth, eu vou me mudar’. As palavras que mudaram completamente a minha vida. Um mês depois, Caren foi embora e eu fiquei em estado de pânico, eu teria que voltar sozinha a partir daquele dia, quer dizer, quase sozinha, pois ele sempre estava comigo.
O tempo passou muito rápido e logo chegou o dia em que eu teria que voltar sozinha para minha casa. Sem a Caren, eu estava paranóica, passei todo o tempo que estava na escola, olhando para os lados, procurando o Dan, sempre que o achava ele estava me olhando. E isso me deixava ainda mais apreensiva, não consegui aprender nada naquele dia, estava totalmente fora de mim. E tudo piorou ainda mais, quando na hora do intervalo ele se aproximou de mim e pela primeira vez, falou comigo:
- Oi, Elizabeth. Posso me sentar ao seu lado? – ele me olhava de um jeito tão assustador que fiquei com medo de recusar.
- Oi. Pode sim. – eu estava trêmula, mãos geladas e pedindo socorro por dentro.
Ele sentou-se ao meu lado e ficou me encarando por um longo tempo, sem nada dizer. Ele definitivamente me assustava, eu estava paralisada ao seu lado. Não agüentando mais decidi sair dali. E para não ser totalmente grosseira lhe disse:
- Dan, eu vou para a minha sala. Até mais. – no mesmo momento me arrependi desse ‘até mais’. Era muito melhor eu apenas ter dito “até nunca mais”. Essa era a minha vontade.
- Ah, ta certo. Eu vou junto com você então. A gente é da mesma sala mesmo né? – ao falar isso, ele pegou a minha mão, beijou-a e depois ficou segurando-a. Eu estava a ponto de sair correndo e gritando daquele lugar. Mas apenas consegui dizer.
- É.
Segui todo o caminho até a sala em silêncio, com ele ao meu lado, como sempre me olhando. Ele não percebia o quanto isso me deixava assustada, ou talvez percebesse e não se importasse com isso. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, eu acho que tudo o que ele queria era realmente me assustar. Ao entrar na sala, fui direto ao meu lugar e me sentei sem notar a presença daquele garoto, ainda ao meu lado e me olhando como nunca. Dei um sorriso meio sem graça e tentei fazer outra coisa, abri meu caderno e comecei a rabiscar. Não adiantou muito, pois ele continuava ao meu lado, me olhando. Então, mais uma vez ele falou comigo:
- Eu notei que você está indo sozinha para sua casa. Deve ser chato não ter com quem conversar... – rezei para ele não se oferecer a vir comigo, e antes que ele terminasse de falar, fui logo dizendo.
- Não, eu gosto mais de andar sozinha. Eu tenho mais tempo para pensar. – disse isso com a voz um pouco desesperada. E ele notou isso.
- Mas, você poderia vir comigo, eu sempre saio na mesma hora que você e como moramos perto um do outro, eu pensei que talvez... – o interrompi novamente.
- Não é necessário, eu gosto de andar sozinha. E além do mais, eu seria uma chata todo o caminho. Você iria enjoar de mim.
Ele ficou calado por um momento e para meu alívio, o professor entrou na sala e mandou que todos se sentassem em seus lugares. Ele foi para seu lugar e eu não fui nem um pouco discreta em mostrar meu alívio sobre aquela situação.
Chegou a hora de ir embora. Voltei a ficar aterrorizada com a idéia de voltar para casa com ele. Peguei as minhas coisas e sai correndo da escola. Fui por um caminho diferente e mesmo assim percebi que alguém estava me seguindo. Olhei para trás e o vi. Andei ainda mais rápido para ele não conseguir me alcançar, esforço que logo percebi ser em vão. Ele parecia gostar daquele meu desespero, sua expressão não negava isso. Ele tinha um rosto de quem estava animado e eu de quem estava morrendo de medo. Ao ver a minha casa, comecei a correr ainda mais e quando cheguei, abri a porta e cai no chão, exausta. Depois desse dia, ele parou de falar comigo na escola, mas não parou de me olhar, pelo contrário, seus olhares me assustavam ainda mais. Eu ainda o via pela janela do meu quarto, parado, me encarando.
Passaram-se vários dias, até que chegou a semana do meu aniversário. Como era de se esperar, ganhei poucos presentes e apenas algumas pessoas na escola lembraram-se da data. Nesse dia para o meu espanto, Dan não apareceu na escola. Isso me deixou aliviada e ao mesmo tempo apreensiva. Eu sentia que isso não era um bom sinal. Ao terminarem as aulas, voltei para casa como de costume, sempre olhando para os lados, com medo de Dan estar me seguindo. Para minha felicidade, ele não estava em parte alguma. Felicidade esta que não durou por muito tempo, pois um pouco antes de chegar na minha casa, eu o vi. Ele tinha um sorriso diabólico em seu rosto e quando percebeu que eu ia correr dele, veio ao meu encontro. Eu fiquei sem ação. E ele falou:
- Oi, Elizabeth. Sei que hoje é o seu aniversário. Não fui à escola porque estava preparando uma surpresa para você. – ele parecia estar apreensivo ao falar isso, pois não parava de olhar para os lados. E isso me deixava muito mais assustada. Então eu disse:
- Ah, não precisava de nenhuma surpresa, eu estou um pouco apressada para chegar em casa, depois a gente se vê.
Nesse momento, foi como se ele virasse outra pessoa, me segurou pelo braço e praticamente gritou comigo:
- Você tem que vir comigo agora, eu fiz uma surpresa e você tem que vir.
Eu estava em estado de choque, ele me segurou com mais força e foi me puxando até o quintal de sua casa. Era um lugar imundo, cheio de coisas velhas, mal dava para ver a minha casa agora. Eu tentava gritar e fugir dali, mas ele tapou a minha boca, como se já imaginasse que eu faria isso. Quando chegamos em frente a uma arvore, ele me soltou e ficou olhando para mim, do mesmo jeito de antes, com olhos assustadores. Eu pensei em correr, sair dali, mas eu estava tão assustada que não conseguia sequer sair do canto. Ele então pegou um objeto que estava perto a uma árvore e me entregou. De inicio eu não entendi do que se tratava, mas logo vi que era um porta retrato, nele tinha uma montagem de fotos minhas que ele tirou enquanto eu não estava vendo, eu fiquei apavorada ao ver que tinha fotos até em momentos íntimos, como ele poderia ter tirado essas fotos? Eu o olhei e perguntei:
- Onde? ... Como? ... Como você tirou essas fotos? ... Você é... – eu estava sem palavras, diante essa situação. Ele me olhou com sarcasmo e disse:
- Eu não ficava só te olhando na escola ou pela janela do meu quarto. Eu te segui e te admirei em todos os momentos do seu dia. Até quando você dormia. E você nunca me notou.
Eu estava sem palavras diante disso, lágrimas se formaram em meu rosto. Então, eu joguei o porta retrato no chão, que ao cair quebrou-se em pedaços. Isso o deixou furioso, eu via isso em seus olhos. Então comecei a correr desesperada, mal dava pra ver o caminho, meus olhos cheios de lágrimas impediam que eu visse tudo com clareza. Quando eu senti as mãos dele me segurando mais uma vez, ele me pegou e me puxou. Eu tentava lutar contra ele, me soltar daquele menino estranho e maluco. Mas ele estava fora de si e não me soltava. Ele então gritou:
- Você será minha, por bem ou por mal. E não adianta tentar fugir. Você é minha.
E isso foi a última coisa que eu ouvi, enquanto viva. Eu não lembro o que aconteceu, mas momentos depois eu me vi caída nos braços daquele menino. Eu não estava lá, eu estava fora dali, vendo tudo de longe, como se aquele corpo caído não fosse meu. Só depois eu entendi que eu havia morrido. Eu só consegui ver aquele menino chorando sobre meu corpo e depois mais nada. Passei muito tempo sem ver nada, apenas o branco, até chegar onde estou hoje. Meu novo lar, acho que chamam de paraíso. Sim, deve ser o paraíso, aqui é lindo. E eu sou feliz aqui.
Texto : Mairana M.
29 de Fevereiro
Era dia 29 de Fevereiro e lá estava ela andando, por ruas que nunca tinha andado, conhecendo a sua cidade; camisa regata e short curto; era assim que saía para seus passeios semanais, aventurando-se pela cidade, em que nascera, vivera e que descobrira que não conhecia praticamente nada dela. Andava como qualquer uma pelas ruas, sem chamar a atenção de ninguém e se chamasse , era de um ou dois garotos, que simplesmente assobiavam ou a olhavam, com olhos de cachorros famintos. Ela simplesmente os olhava com desdém e seguia seu caminho. Um rapaz bonito, de aparentemente 20 anos, começou a acompanhá-la, Agatha ficou receosa, nunca aconteceu de um rapaz acompanhá-la.
- Oi. Eu sei o que você está pensando, não vou fazer mal nenhum a ti não.
- Como?
- Ah, fala sério, eu sei que você estava com medo de mim.
- Não, não. Só não é normal, um garoto me seguir assim.
- Garoto? E quem disse que eu estou ti seguindo?
- Desculpe-me então, pelo menos é o que parece.
- Sinto muito, mas a rua é pública, eu não tenho culpa se você é paranóica.
Agatha corou ao termino da frase, parecia que iria explodir. Afinal de contas, quem era aquele garoto, para desaforá-la daquele modo? Esse pensamento ia e vinha. Os passos dela aceleraram e logo depois vieram os deles, quem reparasse, poderia até dizer que estavam disputando uma espécie de “corrida”.
- Está correndo de mim linda?
- Claro que não, só está ficando tarde.
- Sei. Ainda é dia e já está ficando tarde?
- Você não tem mais o que fazer não?
-Se eu tivesse, não estaria aqui, esperando você me dizer seu nome.
- Agatha Miller. Tá feliz?
- Ainda não. Estou muito longe disso. Prazer, sou Brian Connoly.
- Prazer.
- Para onde estamos indo?
- Estamos?
- Claro! Formamos um belo casal, não acha?
- Belo casal? Com você no meio? Está sonhando?!
- Se eu tiver sonhando, eu nem quero acordar então.
- A tá! Usa essas cantadas baratas com todas?
- Baratas? Me diz aí, quantos já ti cantaram assim!
Agatha ficou sem voz, sem saber ao certo o que responder mentir ou ser sincera? Escolheu a de sempre.
- Já foram tantos, perdi até a conta.
- A ta! Estou precisando atualizar minhas cantadas então. Mas, para cantadas “baratas”, ti deixei até sem voz.
- Me deixa em paz cara!
- Está bem, está bem gata. Desculpe-me. – disse Brian em um puro tom de sarcasmo. – Eu só achei que uma moça, tão linda assim, não deveria ficar andando, tão solitária, pelos lugares.
- Se eu estou “solitária” ou não, não lhe interessa.
- Por isso está solteira a tanto tempo. Tão ignorante assim!
- E quem é você pra me chamar de ignorante?
Depois posto outra parte dele. Espero que tenham gostado :D





