quinta-feira, setembro 09, 2010

29 de Fevereiro

E aqui vai a última parte do conto, espero que gostem.

Miller já estava enrubescida de raiva, respirou fundo, tentando acalmar toda aquela raiva. Quem era aquele garoto, que nunca vira antes na vida? Cidade pequena; era difícil ter gente nova por ali, mas bem que não era possível; como ele sabia que ela estava solteira a tanto tempo? Mas Agatha sabia que o último relacionamento, não tinha sido culpa dela, ela ao menos achava isso, afinal de contas, será que ela poderia ter culpa dele a ter traído? Balançou com força a cabeça, tentando se livrar dessa idéias.

- Você está bem? – perguntou Brian, quase que querendo abraçá-la.
- Estou, estou.

Pouco a pouco, o movimento na rua crescia, pessoas, carros, motos e bicicletas vinham e iam. Lá estavam indo os dois, andando a esmo, um ao lado do outro, volta e meia discutindo ou rindo. Parecia que Brian já a conhecia há tanto tempo, parecia até que ele sabia mais sobre ela, do que ela mesma.
As horas se passavam, conversas iam e vinham. Já não havia mais ruas para andar, os pés dos dois já doíam, as barrigas roncavam e os corpos imploravam por descanso. Nenhum dos dois queria que a mágica daquele momento, acabasse, por eles, poderiam ficar andando até a eternidade, mas a realidade é sempre mesma, aquela de sempre. Miller não sabia nem ao menos onde esse rapaz morava, de onde tinha vindo, nem a idade ele quis dizer. Ela no começo não se importou com isso, mas aos poucos começava a necessidade e a curiosidade de saber desses pequenos fatos. Preferiu não tocar outra vez no assunto. Ele a deixou em sua casa e despediu, marcaram-se de se verem a noite, em uma praça próxima do centro da cidade.
Quando chegou sua mãe já estava praticamente desesperada, já havia pensado até em ligar para policia, afinal de contas, a sua filha havia saído às 8 horas da manhã. Agatha mal ouviu as reclamações e sermões da mãe, simplesmente subiu para o quarto, pensando, pensando nessas horas que tinha acabado de viver, havia tanta beleza e mistério naquele garoto.
Começou as suas dúvidas, se perguntou se o seu nome era aquele mesmo, se ele era mesmo tudo aquilo que tinha falado. Olhava para o relógio a cada estante, a hora não se passava e as dúvidas só cresciam e cresciam. Ouviu os gritos da mãe chamando-a para jantar, comeu o tão lento quanto pode, tentando assim de algum modo passar o seu tempo. Não havia muito que se fazer naquela cidade. Decidiu não ficar em casa, visitou uns amigos, comprou umas coisas no supermercado e logo após tentou dormir, sono que só demorou a chegar.
Agatha olhou para os dois lados e viu que já era noite, banhou-se, comeu e saiu, cantarolando pelas ruas, ao encontro do seu amado. Ele já estava lá na praça a esperando, com uma linda rosa branca, ela o viu e correu, ele levantou e abriu os braços de encontro a ela, foi um abraço demorado, sincero, carinhoso. Ela já amava o sorriso dele, já amava o modo que ele falava com ela, já amava seu jeito de ser, seu jeito de pensar, os poemas que recitara para ela. Passaram a noite naquela praça, não tão cheia, nem tão vazia. Conversando, beijando, namoricando.
As horas se passaram rapidamente; aqueles que passavam, ficavam surpresos por Miller ter arranjado um namorado, uma menina tão fechada, que só espantava os rapazes, agora estava com um aos amassos, muitos ficaram até sem entender, olhavam até sem nenhuma sutileza só para ter a certeza que era ela mesma.
E chegou a hora do conto de fada acabar, Agatha percebeu que Brian estava chorando.

- O que foi Brian?
- Me desculpe, não sou nada disso que você pensava. Na verdade, amanhã nem estarei aqui mais! Não sou daqui, me desculpe.
- Mas Brian, não se importe com a distancia, damos um jeito.
- Entenda, não há como dá um jeito nessa distância. Ela é maior do que você imagina.
- Como assim Brian? Não estou ti entendendo.
- Me desculpe, já está tarde demais.
- Calma! Explique-me, por favor!
Os olhos de Agatha começaram a lacrimejar ao dizer isso, ela estava confusa, sentindo já um vazio, antes mesmo de Brian ir.
- Você jamais entenderá, nem eu mesmo entendo o porque disso. Daqui a 4 anos estarei aqui outra vez...
- Daqui a 4 anos? Por que?
- Não sei explicar o certo, minha vida é assim, só estou aqui no dia do meu aniversário. Desculpe-me. Adeus.


E assim ele se foi, correndo na escuridão das ruas. Agatha não olhou em nenhum momento para que lado ele foi, enxugou as lágrimas do rosto e voltou, voltou para sua casa, voltou para seu lar, para sonhar outra vez, com seu príncipe encantado.

Comentem ae ;)

2 comentários:

  1. Gostei.
    Quando li a parte dos 4 anos, eu pensei que ele era candidato a alguma coisa. kkkkk
    Juro que pensei. Só então lembrei do titulo do conto. hehehehehe

    Muito bom, parabéns doutor Linderson.

    Ficou umas coisas sem respostas, o porquê da distância ser tão grande assim e tal, mas se esse era o efeito que você queria, tudo bem. =]

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  2. Sim. Sim. Quis deixa isso em aberto; fica da imaginação de cada um. ;)

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