segunda-feira, setembro 03, 2012


Entre sonhos e desencantos me encontro imersa em pesadelos intermináveis. Dou voltas e mais voltas em perguntas sem solução. Sei todas as respostas para as perguntas erradas. Encontro caminhos e desvios me levam ao mesmo lugar. Desisto dos desvios e me perco em labirintos. E em cada labirinto escolho me perder ainda mais e sei que um dia me encontro.


Mairana M.

quarta-feira, agosto 08, 2012


Não sei explicar ao certo, se é dor, mágoa, ressentimento, ou qualquer outro tipo de sentimento. Mas sei dizer que dói. É uma ferida aberta, bem no meio de meu peito. Como a dor causada por uma batida. Um braço quebrado. Dói tanto que a respiração é quase impossível. Dói porque se foi, dói porque não volta. O silêncio e a ausência se tornam mais freqüentes do que risadas e abraços. E isso fere, como uma espada sendo cravada pelas costas. São chamadas de fases da vida, encaradas por muitos como algo normal, mas sempre deixam cicatrizes horrendas, que não saram, não curam. É difícil superar, mas talvez não seja impossível. Mascarar a dor atrás de sorrisos desmedidos, para nos mostrar fortes, inteiros. E tentando provar para todos, mas principalmente para nós mesmos que a dor pode ser superada, que ela pode ser ultrapassada e que nós podemos encontrar a felicidade após cada queda.

Mairana M.

De tudo, havia restado apenas o sabor das lágrimas que a acompanhavam em suas noites solitárias. Trancada em seu quarto ela admirava todos os objetos ao seu redor: aquele abajur que ele havia derrubado tantas vezes em seus momentos de euforia ou quando a jogava na cama tão abruptamente, aquela janela onde os dois ficavam abraçados, admirando o luar e conversando sobre tantas coisas, todas essas coisas que ela sentiria falta, todas essas coisas que ela almejava que retornassem e que entrassem por aquela porta trancada, quebrassem todas as fechaduras da casa e invadissem sua mente e carregassem todas as dores alojadas em seu peito. Ela sabia que nada daquilo voltaria, pois o seu desejo não era suficiente para apagar todas as dores que lhe foram causadas. Seu coração estava em frangalhos. Ela não dividia sua dor com ninguém, a dor era apenas sua. Alguns dias ela fingia esquecer tudo, enganava-se, portava-se como se nenhuma mágoa estivesse em seu peito e até conseguia acreditar nisso. Ah... ela mente tão bem para si mesma. Por fora a personificação da felicidade, por dentro, uma alma cansada de tanta dor. Mesmo não sabendo a força que tem ela se levanta a cada queda, sorri e mais uma vez, está pronta para o que for. 


Mairana M.

quinta-feira, julho 12, 2012

Uma história de amor ou algo do tipo


I
Chovia. Podemos avistar dois homens naquele prédio, que aparentavam conversar. Tudo estava tranquilo, até que, o homem mais velho sacou uma arma e apontou-a para o mais novo. Tudo estava acabado, ele gritava, ameaçava matar o outro homem. Ele tinha ódio, o outro apenas amor. O outro não revidava. Foi então que tudo escureceu, um som parecido com um raio naquele dia chuvoso fez com que tudo acabasse. O homem mais velho matou cruelmente o rapaz a sua frente. O que o levaria a isso? O que fez aquele homem chegar ao limite?
Direcionamo-nos ao foco de tudo, entramos em sua mente. A princípio tudo o que vemos é a escuridão, a chuva, imagens sombrias. O coração daquele homem estava tomado por sentimentos que o faziam mal e que feriam as pessoas ao seu redor, como aquele jovem que ele conhecia tão bem e tinha assassinado sem piedade. Agora vemos outras imagens em sua mente, momentos antes dele matar aquele outro homem, ele está lembrando-se de tudo o que aconteceu. Ele está conversando com o jovem, no começo não entendemos nada, ele não está concentrado, a conversa fica difusa. Mas, ele se concentra, ele quer lembrar-se de tudo e nós queremos saber o que aconteceu.

II
Em outra área da cidade, alguns dias atrás, entramos no que parece ser um quarto de um hotel vagabundo, paredes vermelhas um pouco mofadas pela umidade, carpete velho e apodrecido com marcas e talvez lembranças das pessoas que outrora estiveram naquele cômodo, uma poltrona velha, mas que de alguma forma talvez mística trazia beleza àquele quarto, da janela podemos ver o rio que circunda a cidade. Mudamos o foco para o centro do quarto, um criado-mudo, um abajur quebrado, um cigarro com suas cinzas queimando, um livro estrangeiro e a cama que nos chama a atenção, rangendo a cada movimento feito pelo casal. Ela tinha uma feição agradável, não era bonita, mas algo em seu jeito fazia com que ela atraísse olhares. Ele aparentava ser um pouco mais novo, era bonito, tinha um porte de quem praticasse esporte, tênis talvez, quem sabe. O casal não conversava, apenas encaravam-se, como se apenas com o olhar pudessem se comunicar, como se qualquer palavra dita fosse como uma pedra atirada em direção a uma frágil vidraça. Falar era proibido, talvez por tornar real o que eles queriam enxergar como “uma aventura, uma brincadeira, nada demais”, era isso o que eles diziam quando não estavam naquele cômodo sujo e ainda assim mágico. Então, ele, sempre era ele, resolveu quebrar aquele momento de cumplicidade, seria essa a palavra? sim, cumplicidade, aqueles dois tornaram-se cúmplices desde aquele dia em que conheceram-se, quanto a isso, por enquanto, basta sabermos que conheceram-se num bar, que também era próximo aquele prédio onde visitaremos num futuro próximo. Está ficando confuso? perdoe-me, mas estou apenas os guiando por essa história. Como eu falava, o rapaz quebrou o momento de silêncio e cumplicidade, ele disse estar cansado de sempre ir aquele lugar, queria algo novo, uma nova aventura, o quarto de paredes vermelhas mofadas pela umidade já não era mais tão vívido quanto no início, ela apenas acena como quem concorda e o silêncio reina mais uma vez.

III
Finalmente a memória do homem parado em frente aquele corpo banhado em sangue e sem vida, começava a ficar nítida. Lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ele era tomado pela primeira lembrança: ele estava um pouco mais jovem e com um recém-nascido em seus braços, chorava enquanto olhava a sua esposa sem vida naquela maca de hospital onde acabara de dar a luz a um filho que depois descobriria não ser seu.
Abana a cabeça como para afugentar aquela memória que tanto o perturbava, não queria mais pensar naquele dia. Olhou para o cadáver do homem que um dia tivera em seus braços, admirou-se de quão belo ele era e foi tomado por mais uma lembrança: ele já estava um pouco mais velho, ao seu lado, sua segunda esposa, com quem aprendera a amar novamente, ambos divertiam-se naquele bar, ele estava um pouco ansioso, iria reencontrar aquele rapaz que criara como se fosse seu filho, não se viam desde que ele resolvera viajar pelo mundo. O rapaz aparece muito belo, agora tinha porte de homem e parecia inteligente e experiente demais para sua idade, cumprimentam-se, o homem mais velho apresenta então sua esposa àquele rapaz, os três conversam a madrugada inteira, voltam para casa e continuam bebendo e conversando, o homem mais velho resolve ir para seu quarto, chama sua esposa que diz que vai depois, que quer conversar e beber um pouco mais com aquele rapaz, ele vai, os dois ficam. Novamente, abana sua cabeça, não conseguia suportar o quanto foi tolo durante todo aquele tempo. Cai de joelhos naquele chão ensopado de sangue e chuva e é tomado por mais uma lembrança, talvez a mais cruel: dois dias atrás, tinha resolvido voltar mais cedo do trabalho, queria sair com sua esposa e o rapaz que estava em sua casa desde que havia voltado de viagem, estava animado para sair com eles, estava sempre ocupado e na maioria das vezes não podia sair com os dois, ao entrar em casa, para seu espanto havia roupas espalhadas por toda a sala, no carpete duas taças vazias e uma garrafa de vinho pela metade, subiu as escadas, coração disparado, suas mãos tremiam na medida em que constatava algo tão óbvio desde o inicio, a porta estava entreaberta, do lado de fora do quarto ele viu sua esposa e aquele rapaz, queria poder gritar e dizer tudo o que estava entalado na garganta, que aquele rapaz havia tirado tudo o que ele tinha de mais precioso, que havia destruído todas as suas esperanças, que era o assassino da mulher que ele tanto amou e que só o criou pelo fato dele ser a única coisa que lembrasse sua primeira esposa, mesmo que fosse um erro, e agora ele estava com sua esposa, aquela que mostrou que ele poderia amar novamente. Mais uma vez aquele maldito bastardo estava arrancando sua felicidade, saboreando-a e rindo na sua cara. Ele já havia suportado muita coisa e aquilo foi a gota d’água.
Entre chuva, sangue e lágrimas aquele homem, mais uma vez, é tomado pela escuridão e pela certeza de que nem sempre o amor é algo belo.

Mairana M.

domingo, julho 31, 2011

38° graus


O sol raiava fortemente ao norte, temperatura de 38° graus. O dia pedia praia, apesar dos tantos compromissos já marcados. Desliguei o telefone e peguei o primeiro ônibus em direção a uma praia qualquer.
A praia estava cheia, eu não era a única a ter faltado ao trabalho. Rapazes esbeltos passavam caminhando. Alguns jogavam vôlei. Crianças corriam em direção à praia. Mulheres simpáticas se bronzeavam ao meu lado. Fechei os olhos e me deixei fluir pelos raios solares; gotas de suor começaram a correr.
Senti algum obstáculo se por entre o sol e meu corpo; abri meus olhos e vi um lindo sorriso e logo após olhos castanhos marcantes. Ele se apresentou como Carlos. Começamos a conversar descontraidamente e quando dei por mim, já havíamos nos beijado. Um beijo levemente salgado. Delicioso.
Fomos em direção a praia, se refrescar e apimentar mais aqueles beijos. Afinal era um domingo lindo e Carlos estava lá comigo, como sempre! As coisas não poderiam estar melhores.
O mar estava uma delicia aquela brisa gostosa, aquele mar sem ondas. E o sol lá, me bronzeando conforme os minutos se passavam. Apenas eu e ele. Só necessitava dele.
O cloro começou aos poucos a enrugar minha pele. Eu já estava naquela piscina há duas horas, dormindo, deitada sobre esse tempo gostoso. Em dentro de uma hora eu deveria ir ver Marcos. O amor de minha vida.
Sentei-me na borda da piscina e lembrei que amanhã eu precisava acordar cedo, eu precisava procurar um trabalho, já estou três meses desempregada. Preciso pegar as rédeas de minha vida.
Liguei o telefone; Não demorou muito para uma mensagem chegar.

“Onde você está meu amor? Anda dormindo de novo? O dia está lindo! Quando acordar me liga; podemos ir para alguma praia ou piscina. Eu te amo. Do seu namorado.

Paulo, 1 de Maio de 1999”

segunda-feira, julho 25, 2011

Demônios e Diabos

Criamos os chamados "demônios e diabos" para termos a quem culpar pelas infelicidades que nos procedem. Infelizmente, os únicos culpados pelos erros e glórias do nosso destino, somos nós.

Linderson Ch.

Relatos de uma madrugada vazia

Um sorriso de canto dos lábios é tudo o que podem oferecer um ao outro. Seus olhares são vazios, assim como o vazio da sala onde estão. Vazios por dentro e por fora. Ela acende um cigarro, ele se senta no sofá ao lado. Sorriem mais uma vez. Sabem que não há mais nada a se fazer. Ele olha mais uma vez para aquela mulher de nariz pontudo, sorriso meio amarelado e cara de psicóloga que sempre sabe o que estão pensando. Ela olha mais uma vez para aquele homem de barba mal feita, sorriso meio torto e com cara de artista que tem o bom coração e a sensibilidade pra falar e demonstrar o que sente. Eles se observam, cada movimento feito é analisado, mas sabem que isso é tudo, sabem que analisar-se não vai mudar a ferida deixada. Ela nota que muito tempo já se passou, são quase 11 horas e precisa voltar pra casa. Termina o seu cigarro. Ele percebe que chegou a hora da despedida e levanta-se. Oferece outro cigarro, ela recusa. Oferece uma bebida, ela recusa. Ela tem que voltar, já é tarde. Passou muito tempo naquele lugar. Ela encara aqueles olhos mais uma vez, mas agora não sorri, apenas o encara como se bastasse um olhar pra dizer tudo o que passava em sua mente. Ele também não fala nada, mas entende o que não é dito, se afasta e vai em direção à porta, abre-a, ela sai e ele sabe que nunca mais a encontrará de novo. Ao sair ela sente a sensação da liberdade, ele, a sensação de fracasso. Ele fecha a porta atrás de si, enche o seu copo de vodka, pega um cigarro e vai até a janela de seu apartamento. Passa alguns minutos olhando as luzes da cidade zombando de sua cara, mostrando o quanto estão vivas, enquanto ele morre por dentro. Abre a janela, talvez pra ver se ainda pode alcançá-la e dizer que não vá embora, que volte e que ele não viveria sem ela, mas sabe que já não adianta lutar, ele sente que esse foi o fim de sua jornada. Sente o gosto salgado de suas lágrimas, sorri pela última vez e saltando da janela, entrega-se ao vazio daquela noite fria em que ela o deixou.


Mairana M.




domingo, julho 24, 2011

Papai

Ele odiava ouvir essa palavra pronunciada da minha boca. “Vá tomar no cu”, ele dizia com raiva e eu apenas respondia: “Eu já tomei”. Ele não agüentava isso, eu via logo aquela pequenina lagrima cair e um sorriso brotava instantaneamente. Apesar dos pesares, nós nos amávamos e era aquela coisa sincera, deliciosa, prazerosa e com certeza perigosa!
 
- Você devia parar de me chamar assim, você sabe que eu não gosto desse epíteto.
- Mas por que papai? Não é você quem cuida de mim, me da carinho, amor, me alimenta?!
 
Seu rosto se enrubescia; perdi a conta de quantas vezes tivemos essa conversa e sempre era delicioso ver o rosto dele se avermelhando com tamanha facilidade.
Conhecemo-nos... Em uma sala de bate-papo apenas para adolescentes, entrei com o apelido “Anjinha14”. Virou rotina entrar naquela sala, sempre no mesmo período, já era conhecida e já tinha feito muitas amizades na mesma; eram praticamente sempre as mesmas pessoas, logo era fácil reconhecer alguém “novo” na área. Foi então que apareceu Marcos, o qual tomei desconhecida simpatia; morávamos na mesma cidade, tínhamos o mesmo gosto, trocamos elogios, o próprio chegara a me perguntar: “Você realmente tem apenas 14 anos?”. Lisonjeada respondi: “Claro que tenho, porque eu mentiria minha idade?”. Minutos se passaram e não houve qualquer resposta, qualquer sinal de vida do Marcos; decidi telefonar para ele, desde então eu só o tinha anotado na memória do meu telefone, porém nunca tive coragem de ligar, a minha típica timidez não me permitia à tamanha proeza.
Ouvi uma voz grossa e ríspida dizer um “ALÔ”. Gelei. Perguntei-me se aquele poderia ser o pai de Marcos.
 
- Alô. O Marcos está?
- Diga, sou eu.
 
Fiquei sem palavras, não sabia o que dizer. Decidi apenas ficar em silêncio.
 
- Alô! Alguém aí?
- Oi, sou eu, Anjinha...
 
Um silêncio assustador ficou entre nós.
 
- Desculpe-me Ligia; acho melhor não nos falarmos mais.
- Mas por quê? Eu gostei de você e você me disse o mesmo!
- Porém eu tinha a esperança de que você estivesse mentindo sobre sua idade.
- Claro que não! E do que isso importa? Se nós nos gostamos, deveríamos levar isso em frente...
- Eu posso ser preso meu anjo e você sabe disso.
- Isso não é justo! Vamos tentar... Ninguém precisa saber nada sobre nós!
 
E assim foi. Tenho que admitir que tivemos momentos difíceis; porém, isso ficará para outro dia. Hoje eu só quero comemorar os dois anos que estamos juntos e sinto que esses anos se transformarão em décadas.






Humor em 2d
   




quinta-feira, julho 21, 2011

Sada

Graça ao meu senhor consegui pegar o ônibus. Quinta sessão no mesmo dia; tudo está começando a melhorar.
Meu nome é Maíra, tenho 25 anos e sou sadista. Trabalho fazendo “sessões” desde os meus 23 anos. Sempre tive preconceito com essas formas alternativas de sexualidade, mas depois daquela transa...
Meu cliente já estava me esperando na porta (que eu gosto de chamar de “Meu Consultório”), se apresentou como Hugo, fazia tipo surfista (aparentemente filhinho de papai), olhos castanhos Carlos, cabelos de anjo, claros como o sol. Era tão charmoso, que quase tive pena durante um breve segundo.
... Lá estava eu, trepando com aquele desconhecido em um motelzinho barato. Estava tudo bom, o vai-e-vem, aquele calor... Comecei a mordê-lo, ele começou a gritar, dizendo que adorava aquilo e pedia para eu morder com mais força, se possível que sangrasse, estranhei de primeira, mas a excitação já havia me tomado, e o fiz. Os gritos de dor/prazer dele me enlouqueciam, causava-me uma sensação estranha, um prazer diferente, mais intenso do que os habituais. Logo mordidas se transformaram em arranhões, arranhões em tapas e tapas em orgasmos sucessivos.
E assim me transformei em uma sadista, se as portas não fossem a prova de som, vocês estariam neste momento ouvindo os gritos de Hugo.




Não sei porque, mas ultimamente ando bastante inspirado para escrever sobre certos assuntos ...

Humor
   

quarta-feira, julho 20, 2011

Nekrós

E foi assim a primeira vez que a vi, estirada no chão, aberta, com sangue escorrendo entre suas pernas. Visão linda foi aquela! Tirei uma foto, afinal, ela estava tão linda naquela posição, tão indefesa, tão frágil. Eu tinha que tê-la para mim! Levei-a para o Box; seu corpo já estava gelado. Esquentei a água e dei um bom banho quente; escolhi uma roupa a esmo e a coloquei sobre meus ombros e partimos.
O céu desabava em nós dois, relâmpagos e trovões gritavam. Chegamos rápido em casa, ti pus na minha cama, meus lábios encostaram-se aos seus, do seu lado sentei e fiquei ti observando... Observando durante horas e horas, até começar a perder sua cor, a se decompor e assim sumir; para sempre, da minha vidinha medíocre.




E pra não perder o humor...
  

Decepção não mata, não te ensina a viver e não te deixa mais forte. Ela apenas nos mostra de uma maneira nem um pouco agradável o que estava na nossa cara o tempo todo.


Mairana M.

domingo, julho 17, 2011

Preciso...


Preciso escrever algo, nem que seja uma frase perdida no léu, um verso mal plagiado de algum autor, ou até por acaso; um livro sem fim. 


Linderson Ch.

14 de Maio de 1998




02:12
O céu está nublado, talvez logo, logo possa chover um pouco. Não seria nada mal tomar um banho de chuvas, daqueles gelados, grossos, que levam a alma. Não seria mesmo.
04:35
Já está tarde para dormir, já, já o sol nasce e eu estarei lá para ver seu nascimento. Faz tanto tempo que não o vejo, ando ficando trancado em casa tempo demais.
06:10
Acho que preciso tomar algum providência referente a esse amor. Ficar do jeito que tá, infelizmente não dá, ou talvez quem sabe dê!
Pego o mp3, e aproveito o clima romântico/confuso, começo a escutar nada mais, nada menos que “Amores Platónicos”.
09:55
A vontade de pegar meu cel e ligar para ti é tão grande! Dizer o que realmente sinto, dizer que faço tudo por você; faço até maldade, destruo seu namorinho de merda. Só para você ser minha, apesar de não me importar, se você tem outros ou não.
13:01
Eu queria sonhar contigo, ti dar um pequeno beijo, mesmo que esse fosse em um rápido sonho ou até mesmo, pesadelo. Eu não me importaria, só em ter esse fútil prazer eu já estaria feliz.
15:58
Aula de Inglês. Enquanto todos falam os pronomes pessoais e possessivos, eu só penso “I Love You”.
Creio até que estou me iludindo, afinal, eu mesmo nem sei o que é o amor. Mas hoje em dia, é praticamente impossível encontrar alguém que realmente o sinta, que saiba como é a sua verdadeira essência. Mas uma coisa eu sei, “Eu te amo” não é um “Bom Dia”.
19:29
Hoje entrei no seu Orkut, vi suas fotos, seus sorrisos meigos, confesso que olhei rapidamente seus recados.
Ah, esse ciúme louco que me move a viver, me move a querer sempre mais e nunca ter o bastante, nunca estar satisfeito.
20:03
Por isso me bate aquela infelicidade, aquele desgosto de viver. Aquela vontade de morrer. Desejaria ser menos confuso, saber o que eu quero e não quero. É cansativo querer tudo e nada ao mesmo tempo.
22:15
Preciso ir dormir, descansar, repousar. Olhar para os lados, para o passado e para o hoje, para assim planejar o amanhã e assim, outra vez viver.

quarta-feira, julho 13, 2011

Solity

Contaram-me em certo dia nublado, no meado de julho, que havia um ônibus. Um ônibus com paradas, mas sem descanso, sem motoristas, mas com passageiros; passageiros solitários, que estavam à busca de algo, talvez um sentido, talvez um alguém, talvez até riqueza. Ônibus este que rodeava apenas um pequeno estado, de um pequeno país, perdido nas Américas. Logo então o procurei, o busquei; esse modo todo especial de ser, me instigava, delirei imaginando os seus passageiros, quem seriam? O que procuravam?
Lembro-me daquela lua cheia, naquela quinta-feira de outubro. Ouço um barulho. Vejo pela janela um ônibus; amarelado com listras azuis, escrito “Solity” entre o listrado. A curiosidade me move; arrumo-me tão rápido quanto posso; saio depressa, era visível meu afobamento. A porta abriu... Subi.
Tantos anos se passaram; pessoas conheci, cruzei meu destino com várias, algumas não passaram de semanas, outras tive a sorte de passar anos. Muitas das quais, não havia sentido algum estarem ali, justificativas triviais me deram, indaguei se havia verdade nas palavras ditas, mas porque haveriam de mentir?
Agradeço por enfim, ter terminado essa busca, demorei, de fato e como demorei. Digo alegremente, que dentro do Solity, eu chorei, amei, sorri e sofri; para apenas, compreender algo que eu já sabia, há tanto tempo. Infelizmente; à felicidade não pode ser buscada.

quarta-feira, maio 25, 2011

One Week II





1º Dia
O céu estava nublado já passava das 3 horas da manhã, e eu ainda estava acordado, sem sono algum, só pensando na vida, no meu relacionamento com a Bia. Ela se foi, pra nunca mais voltar ...

2° dia
Tive o mesmo pesadelo de ontem. Minha mente anda me perturbando e fazendo joguinhos comigo, estou confuso. Às vezes acho que estou arrependido, as vezes acho que fiz a coisa certa.

3° dia
Investigação. Ouvi essa palavra na TV e imediatamente desliguei; Ninguém pode descobrir nada! Bia, Bia, já estou começando a sentir sua falta, dos seus beijos, do seu jeito de ser, das suas mensagens de texto as três da matina.

4° dia
Pergunto-me onde você está nesse momento, você se foi tão rapidamente; me pego pensando no nosso último momento juntos e choro ao lembrar-se das nossas brigas e de nossas discussões. Tive mais outro sonho com você, ou melhor, outro pesadelo. Não sei se vou aguentar ficar muito tempo longe de você.

5° dia
Você sabe que eu não queria ter feito isso, foi mais forte do que eu. Eu não queria ter sido traiçoeiro desse jeito, pelos menos não com você! As lágrimas começam a correr toda vez que escuto a nossa música tocando; eu não queria que você tivesse ido para tão longe.

6° dia
Minha mãe veio me perguntar como eu estava por causa dos últimos acontecimentos. O que eu mais poderia dizer? Disse a verdade! Eu estava triste, desconsolado, sem saber que rumo tomar. Ela me disse que eu deveria seguir em frente, mas ela não tem noção de como isso é difícil, esquecer uma pessoa que conviveu me escutando e me apoiando durante três longos anos, sempre me recompondo, me ajudando levantar, dizendo: “O mundo é cruel, mas eu estou aqui para enfrentar ele junto com você!”

7° dia
Não estou aguentando mais, tantos pesadelos, me pergunto como é possível ter o mesmo pesadelo durante sete noites seguidas. Preciso tomar alguma providência urgente. Daqui consigo ver um brilho laminado, refletindo o sol fracamente, tentando chamar a atenção de qualquer um para usá-lo, para fazer algo grandioso, como talvez, encontrar alguém. Então surge um estalo na minha mente. É esse laminado que ira me fazer encontrar Bia, ele é o único que poderá me devolver a minha Bia ou quem sabe pelo menos me aliviar dessa dor que sinto em meu peito.